Com passos de formiga e sem vontade
FLAVIO HENRIQUE
Toda vez que eu vejo uma notícia triste fico revoltado da mais profunda forma. Todos são egoístas. Vivemos em bolhas, sozinhos e solitários e uma vez ou outra nos unimos a fim de compartilhar um sentimento de dor. Na última semana dois fatores me tocaram profundamente, ambos ligados aos meus amigos estudantes.
A greve dos professores me fez refletir sobre um assunto muito delicado: o juramento que eles fazem ao se formarem, enfim. E o segundo envolvendo os jovens de Realengo.
Após uma triste narração aparecem os heróis, que exaltados, recebem os créditos merecidos. Mas afinal, existe espaço para heroísmo? Tudo o que eu citei em Filosofia e Náusea cai como uma luva nesse instante, mas filosofar, pensar e criticar não vai reduzir o sofrimento daquelas famílias. É momento de mudança, e não apenas no papel. Tomar posição não dói, muito pelo contrário, apenas dignifica.
E o povo pergunta: “de quem é a culpa?”. E esquece que a culpa é dele mesmo. Exigir não é descartar, mas sim adequar. Ensinar o certo e o errado é obrigação, escolher um deles é opinião. Sabemos das diferenças, mas defender um ponto de vista é necessário.
Mas de que adianta eu escrever, me esforçar na escolha de adjetivos, pois a minha revolta é apenas minha (longa vida ao egoísmo) e a tristeza é de todos. Pedir uma atitude é inútil. O momento é de ações. Ação de fazer e não de falar, de correr e não de pensar, afinal assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade.
Última atualização (Qua, 13 de Abril de 2011 07:28)




Google
Facebook
Twitter
del.icio.us
Blogger
Rain Concert








