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Sobre soldados, alcoólatras e mestres

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Eu estava decidido que somente Flavio Henrique Bertoldi da Silva voltaria a escrever quando a situação dos professores catarinenses se resolvesse por completo, aí então eu li uma frase que mudou tudo. Mas vamos aos fatos.

Os acontecimentos das últimas semanas exigiram dos dois extremos da sociedade uma atitude nunca antes vista na história deste estado.

De um lado o governo estadual, do outro os professores. Quando eu escrevo “extremos da sociedade” me baseio na ideia de que os professores são aqueles caras que aceitam o que ninguém mais quer fazer: estudam, concursam, submetem-se à horas corrigindo trabalhos e provas, inovam, ensinam, e –na minha opinião o mais importante- preparam pessoas completamente estranhas para o mais difícil de todos os jogos: a vida. Enquanto os governantes, bem...

Mas pior do que todo o trabalho é a falta de reconhecimento. Anos à espera de um piso muito abaixo do que lhes é merecido, a humilhação (e é essa a palavra) de ter que implorar por algo que a constituição garante. O medo de ver seu legado, sua missão, amedrontados pela falta de caráter de uma porção de pessoas, que se realmente quisessem, já teriam resolvido tudo isso. Mais ainda, a falta de respeito pelo papel de educador como membro mais essencial da sociedade e da vida de um verdadeiro ser humano. Professores que –não confundindo com pai ou mãe- ensinam o que é ser humano no mais amplo sentido das interpretações possíveis.

Como aluno me sinto diretamente reprimido e prejudicado por meio da greve, como ser humano entendo a atitude desesperada de uma classe que, embora soubesse o que lhe aguardava, continua lutando com unhas e dentes pelo sonho de todo soldado: o reconhecimento.

Pelo meu caminho já cruzaram muitos soldados como esses, e algum me disse certa vez que lecionar é como uma boa cachaça: toma-se pela primeira vez e vicia-se. Enfim, ajudem esses viciados, ajudem esses soldados, ajudem esses mestres.

“-Os professores são heróis anônimos, meu amigo. Trabalham muito, ganham pouco. Semeiam sonhos numa sociedade que perdeu sua capacidade de sonhar.”

–Augusto Cury (O futuro da humanidade, Ed. Sextante)

Última atualização (Qua, 29 de Junho de 2011 11:17)

 
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