Márcio Pereira Zimmermann, ministro de Minas e Energia: “Santa Catarina tem tudo para participar do desafio do pré-sal”
Entrevista
Publicado em Abr 30, 2010
Associação dos Jornais do Interior (ADISC)
Márcio Pereira Zimmermann
QUEM É - Ministro de Minas e Energia. Membro do Conselho de Administração da Petrobras, da Petrobras Distribuidora e presidente do Conselho de Administração da Eletrobrás.
DE ONDE É - Blumenau
O QUE FEZ - Mestre em Engenharia Elétrica pela PUC-RJ, atuou na Eletrosul, no Cepel, em Itaipu Binacional, na Eletrobrás antes do MME.
[Pelo Estado - ADISC] – Já há retorno sobre o pedido da Celesc de abertura de crédito no Bndes para a distribuição de energia?
Márcio Pereira Zimmermann – O processo está em fase fnal de tramitação
na Eletrobrás, com um encaminhamento bem positivo e que já foi informado para a
Celesc. Desta forma, a Eletrobrás deve encaminhar esta semana ainda, aqui para o
ministério, para o acordo fnal, e para que siga para a implementação na Celesc.
Santa Catarina poderá construir um ciclo de desenvolvimento em torno da exploração do petróleo nas camadas do pré-sal?
As políticas adotadas pelo governo para o pré-sal vão ter um impacto em todo o Brasil. Em 2003, quando foi decidido fazer plataformas aqui no Brasil, promoveu-se uma verdadeira revolução na indústria naval brasileira. Reativou-se a indústria naval do RS e RJ, implantaram-se novos estaleiros em diversos estados, e isso tudo valorizando empresas que pudessem implantar essa infra-estrutura industrial que o setor exige. Com o advento do Pré-sal, viu-se que essa política era mais que acertada, porque o Brasil já vinha ganhando um desenvolvimento tecnológico e a absorção das tecnologias mais modernas da construção naval, e que agora, o País está ainda mais preparado para enfrentar os desafios e encomendas do pré-sal. Santa Catarina está em um estágio de desenvolvimento, com um parque industrial bastante forte, e é natural, isso eu já disse em uma oportunidade na Fiesc, que realmente tem tudo para participar deste grande desafio.
Quais as principais demandas e projetos para o setor elétrico em SC? Há como atender a necessidade industrial?
Isso sempre é uma responsabilidade da concessionária estadual informar aos órgãos planejadores, o crescimento e demanda. É claro que em situações como as que ocorreram em Joinville, onde o governador à época fez um apelo à ministra Dilma, ao ministro Lobão e à senadora Ideli Salvati, para que fosse autorizada uma subestação que permitisse que o município continuasse atraindo grandes indústrias, que tinham intenção de se instalar e estavam desistindo por causa da deficiência na infra-estrutura, foram feitos os investimentos de forma que hoje já está em operação e Joinville continue atraindo grandes empresas. Aquilo foi uma situação excepcional, por isso que é importante que a empresa estadual sempre atue de forma preventiva e que planeje bem para que isso possa ser feito de uma forma previsível.
Pela sua proximidade com a ex-ministra Dilma Roussef, o senhor acredita que ela conseguirá superar o perfl técnico para conquistar o apoio político e popular que precisa para se eleger?
Eu conheço a ministra Dilma há muito tempo, ainda quando ela era secretária de Energia do Rio Grande do Sul, e eu estava na Eletrosul. A ministra Dilma teve um papel
muito importante nesta reestruturação do setor elétrico brasileiro. Quando de sua ida
para a Casa Civil, assumiu outro grande desaflo, depois as questões de infra-estrutura e social, incluídas no PAC. A capacidade dela é impressionante. Falo isso por que a
conheço há muitos anos. A capacidade de trabalho, de articulação e, por outro lado,
a habilidade que sempre teve de lidar com todas as forças políticas que compõem o
governo, isso a credencia para os desafios que ela deve enfrentar daqui para frente.
O sr. foi funcionário de carreira da Eletrobrás, o que representa a homenagem que recebeu dos funcionários da empresa na última sexta-feira?
Primeiro, eu sou um engenheiro catarinense, que fz carreira no RS, SC, PR, RJ e em Brasília. A Eletrosul na verdade é uma grande empresa. Uma grande cultura que
ajudou a formar gerações de engenheiros. Então, para mim, é muito importante participar sempre de eventos na Eletrosul, até no reconhecimento e na importância que
ela tem na minha própria formação técnica e profissional, pois são 30 anos de empresa. Enfrentei alguns desafios nas empresas que passei, mas a empresa que mais tempo estive foi a Eletrosul, e foi realmente uma empresa chave para moldar e levar para fora do Estado essa colaboração. Santa Catarina conta com dois ministros...
É uma valorização do Estado, principalmente quando você chega num momento de grandes desafios, como os deste ano, com as obras de infra-estrutura, com o programa que você tem para implantar, as obras vinculadas ao PAC.
SC cresceu abaixo da média de outros estados. O sr. acredita que a relação com o governo federal pode ter afetado?
Se em determinados períodos teve desenvolvimento menor ou não, está mais vinculado às conjunturas internacionais e características da economia catarinense. O governo Lula se caracterizou por ser um governo que não discrimina, até porque se fosse tratar politicamente, o Estado conta com grandes lideranças, e que atuam fortemente próximo ao presidente. É só considerar a senadora Ideli Salvati, que foi líder do governo, o papel que ela exerce e o esforço que ela tem feito, junto com os demais parlamentares de SC, para que o Estado tenha um tratamento no mínimo igual aos outros. Essa é a característica: Lula é um presidente para todo o Brasil. |