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ENTREVISTAS

Natanael Santos de Souza: “A importação abre portas para investimentos chineses em Santa Catarina”
Entrevista
Publicado em Mai 07, 2010

ADI/SC

QUEM É - Presidente do Grupo First que reúne sete empresas na área de comércio exterior, entre as quais a Midea, fabricante chinesa de condicionadores de ar. Vencedor do Personalidade  de  Vendas  ADVB/SC  2010,  entidade  que presidiu  entre 2006 e 2007.
 
DE ONDE É - Paranaense, vive no Estado desde 1987.
 
ADI/SC – Como se faz uma carreira de sucesso no mundo globalizado?
 
Natanael Santos de Souza – O segredo para construir uma carreira ou uma empresa é, acima de tudo, trabalho. Evidentemente, há outros fatores que contribuem. Precisa estar com  as  pessoas  certas  e  ter capacidade  de  identificar  oportunidades. Essa é uma faculdade que o  ser humano tem e precisa desenvolver a cada dia. No meu  caso,  comecei  com um  escritório de contabilidade e ao longo do tempo identifiquei as oportunidades de negócio e com isso fui fazendo empresa e crescer, com
muito trabalho e dedicação.
 
SC  tem uma  tradição de grandes empreendedores na área industrial. O sr. é do comércio. Sinal desse novo tempo?
 
Santa  Catarina  tem  uma  grande diversidade  de  empresas,  focadas  mais efetivamente na área industrial. Nosso trabalho na área de comércio se deu porque
começamos já em 1983 quando o Brasil estava começando a se abrir para o mundo. Então, o mercado globalizado nos permitiu  desenvolver  o mercado  catarinense  e algumas marcas no Brasil.
 
Houve uma inversão na economia de SC com a importação superando a exportação. Esse é um movimento que pode ter refexos negativos?
 
A inversão que houve em SC não é exatamente um aumento de importação no
Brasil. Evidentemente, esse aumento seria natural em função da própria competitividade. Mas o que ocorreu foi que o próprio governo incentivou as importações de outros estados por Santa Catarina. O Estado, que era um polo exportador por essência, passou  a  ter um mercado de  importação por conta dos incentivos fiscais às importadoras. Muitas  empresas que  importavam
por São Paulo e Espírito Santo passaram a importar por Santa Catarina. É o único Estado do Brasil que tem cinco portos, quatro em operação e um que vai operar no ano que vem. Isso num raio de 350 quilômetros um do outro. Temos uma costa com cinco portos que cria a tendência do Estado ser importador ou agregar valores de exportação provenientes de outros estados.
 
Como o Estado ganha com isso?
 
Com os impostos que o Estado arrecada,  com o próprio  ICMS. Na divisão do bolo, o governo federal repassa mais a SC. Há também o aspecto de investimento: em função desse incentivo que o governo deu, hoje temos, exatamente por isso, cinco portos. Recebemos investimentos de mais de R$ 1 bilhão em Imbituba, mais recursos em Itajaí e São Francisco do Sul. E a política do governo do Estado de trazer as importadoras fomenta toda uma cadeia logística que envolve caminhões, navios. Movimenta uma série de áreas da economia e acaba trazendo divisas. Isso é muito bom para o desenvolvimento, emprego e  renda,  porque  não  é  exatamente uma  concentração de  consumo  de  produtos  importados  no Estado, mas um canal de  importação que escoa para o Brasil inteiro.
 
Uma  de  suas  empresas  atua  justamente na  importação de produtos chineses que  têm virado um fantasma para muitas empresas brasileiras...
 
Hoje, o próprio governo federal tem instrumentos de  controle quando houver problemas  de  competitividade.  SC  é  um polo  de  confecção,  de  malhas,  móveis. Para este tipo de produto, o governo federal tem instrumento de controle, cotas e tarifas mais altas, mecanismos para que não haja  interferência na economia  interna. O aspecto de  importação  é positivo porque controla a inflação. Não se controla a inflação apenas com  juros altos, mas  também quando há demandas  internas aceleradas sem capacidade  produtiva  para  atendê-las. O governo utiliza  isso para  efeito de controle  inflacionário. E mais, quando  se importa, abrem-se as portas do País para a exportação a outros países. Não podemos esquecer  que  a China  é  um  grande  parceiro do País na importação, é um grande importador do Brasil. Se não exportamos para a China  tecnologia, mas mais matéria-prima, é uma questão de estrutura do Brasil. Esse desenvolvimento de  importação – e a China  hoje funciona como uma espécie  de  fábrica  para  todo  o  mundo, porque  quase  tudo  vem de  lá  –  também abre a possibilidade de comércio bilateral com  os  chineses.  Eu  tenho  investimento chinês em SC: 40% do capital de uma das empresas (no ramo de condicionadores de ar) que temos é chinês. Isso possibilita essa troca com outros países, que é muito bom, porque traz tecnologia, investimento, uma série de coisas que beneficiam o Estado.
 
Há previsões de que  a  economia brasileira  possa  voltar  a  ter  problemas
em um ou dois anos.  Qual sua expectativa neste ano eleitoral?
 
A economia brasileira não terá que passar mais por grandes  surpresas. Tivemos  um  susto mundial,  o  Brasil  saiu-se muito melhor  do  que  outros  países.  Temos uma eleição presidencial sem muitas surpresas porque o risco que tínhamos no passado  era  a  incerteza das políticas que o próprio presidente Lula poderia aplicar no Brasil. Ele entrou e seguiu basicamente a política que  já existia em  termos macroeconômicos. Essa eleição para efeito de economia não terá os mesmo impactos da primeira  eleição do Lula:  câmbio  alto ou instabilidade econômica.





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