

Aderbal Machado
Balneário Camboriú, SC - O promotor de Justiça da 5ª Promotoria que cuida do Meio Ambiente, André Otávio de Mello, esteve visitando as obras da nova Estação de Tratamento de Esgotos, ouvindo exposição técnica dos diretores e gerentes da Emasa e verificando in loco todo o sistema que iniciará seu funcionamento ainda este ano.
O promotor já manteve reunião com os diretores da Emasa, inclusive com o Secretário André Ritzmann, do Meio Ambiente, e voltará a reunir-se nesta segunda-feira (14), para discutir procedimentos e prazos a serem cumpridos nas várias etapas em andamento das obras da nova ETE, elaborando-se um Termo de Ajustamento de Conduta a ser assinado por todas as partes envolvidas.
Mello ouviu relatos sobre o funcionamento futuro da nova ETE, recebeu material técnico ilustrativo das obras, com dados completos e demonstrativos da capacidade atual de tratamento e a capacidade futura, pelos quais fica assegurada a solução dos grandes problemas de saneamento que hoje afligem a cidade, corrigindo uma anomalia ambiental de décadas, em relação ao tratamento de esgoto.
A ETE atual recebe 300 litros por segundo ou 25.920.000 de litros por dia. Considerando-se a produção de 120 litros/dia por habitante, essa capacidade serve a um público potencial de 216.000 habitantes. A eficiência atual é de 50 a 45%.
A nova ETE duplicará a capacidade para 600 litros por segundo em condições normais e de 900 litros por segundo no pico da temporada de verão. No primeiro caso, a ETE receberá 51.840.000 de litros por dia, servindo a uma população de 432.000 habitantes. Na temporada, a capacidade da nova ETE vai a 77.760.000 litros por dia, para uma população potencial de 648.000 habitantes. A eficiência projetada da nova ETE no tratamento de esgoto é de 95%.
Enquanto o sistema atual usa o sistema de lagoas australianas, anaeróbias e facultativas, sem aeração, com baixa eficiência de tratamento, sem retirar o lodo do sistema, provocando odor, apesar de baixo custo de manutenção. O novo sistema a ser implantado com a nova ETE funcionará na base de lodo ativado com aeração prolongada, nitrificação e desnitrificação no mesmo tanque de aeração, retirada de nitrogênio e fósforo e variabilidade de vazão.
Em resumo, a sequência do processo que funcionará na nova ETE inicia com a entrada do esgoto fresco e segue um caminho sistemático: aeração em tanque único, calha vertedora, decantadores (separação do efluente), retorno do lodo, desinfecção com clorogás e saída para o Rio Camboriú.
O lodo resultante do tratamento será prensado e secado, retornando ao processo de secagem como combustível, resultando uma produção de 500 kg/dia de cinza inerte. O equipamento instalado também servirá para processar o lodo existente hoje, passivo ambiental da época da instalação da ETE.
Considerando-se todos os contratos, aditivos, tratamento de lodo e a reforma da estrutura denominada “preliminar” (por onde entra o esgoto puro), os custos de toda a obra chegarão a R$ 32.700.000,00.