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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Notícias/Variedades

A experiência de Jaime Telles na condução de eventos

Escritor, palestrante, apresentador e mestre de cerimônias, Jaime Telles fala sobre uma atividade em que boa voz e desenvoltura ajudam, mas não bastam. Para ele, conduzir um evento exige leitura de ambiente, repertório, domínio do tempo e capacidade para decidir em poucos segundos.

A experiência de Jaime Telles na condução de eventos
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NOTÍCIA JÁ  Que fatores o aproximaram e o tornaram tão presente neste segmento?

Jaime Telles Eu diria que é por afinidade e pela satisfação de atender em momentos tão sensíveis. Motiva-me o desafio de lidar e aprender com os mais variados assuntos, desde uma simples reunião até os eventos mais suntuosos e protocolares. A maioria das pessoas evita tanta exposição.

NOTÍCIA JÁ Então, falar bem ao microfone não é suficiente?

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Jaime Telles Não. Boa voz, dicção e desenvoltura são ferramentas importantes. Mas pesa muito mais saber o que fazer com elas. É preciso ler o ambiente, dominar o tempo, perceber as reações do público e ter segurança para tomar decisões. Cada evento tem aura própria.

NOTÍCIA JÁ E qual é o papel do roteiro?

Jaime Telles Procuro participar da elaboração do roteiro, mas nem sempre é possível. Ele define cada etapa, os personagens e as ações técnicas, estabelecendo uma espécie de rito coerente com o assunto e com o tempo conveniente. O apresentador não estará no roteiro, mas é a voz do evento, que aponta o quê, quem, como e o porquê de toda a programação.

NOTÍCIA JÁ O que os eventos têm de especial?

Jaime Telles Cada evento é especial, porque significa o ápice da confiança, pois sua preparação implica muitos detalhes e cuidados e, ao final, tudo é confiado a alguém que vai conduzir a parte que mais aparece. A performance desse profissional deve confirmar a eficiência da organização.

NOTÍCIA JÁ Eventos corporativos, oficiais e culturais exigem posturas diferentes?

Jaime Telles Completamente. Em cada caso, é preciso compreender a identidade e a mensagem da organização. Admito que o evento cultural contempla maior liberdade. É complexo, mas eu aprecio: sentir a plateia, interagir com ela, acelerar ou desacelerar, criar expectativa e, inevitavelmente, perceber a hora de sair de cena e deixar fluir aquilo que o evento traz.

 NOTÍCIA JÁ Depois de tantos eventos, como você define seu trabalho?

Jaime Telles Pela palavra “condução”. Por diversas vezes tive o prazer de ouvir: “Que bom que você está aqui.” Isso remete à confiança, à qual me referi há pouco. Todo evento é desafiador, porque segue por sobre uma linha fina e frágil. Aí eu costumo lembrar que todos têm o direito de ficar tensos, menos eu. Conduzi-lo é assumir responsabilidade, com zelo e frieza diante daquilo que tiraria o sono da maioria. Até porque, às vezes, nem tudo está escrito.

NOTÍCIA JÁ Aí entra o improviso?

Jaime Telles Sim. Mas só onde convém. E não pode ter cara de improviso. Isso exige repertório, argumento e domínio da situação. Entre possíveis imprevistos, pode haver situações engraçadas, queda de objeto, falha técnica etc. Isso torna indisfarçável o improviso, que pode ocorrer de forma breve e oportuna, apenas para retomar a normalidade.

NOTÍCIA JÁ  De onde vem esse repertório?

Jaime Telles Vem do interesse pessoal e do compromisso com o cliente. Tenho gosto e predileção pela oratória, que está intimamente ligada à literatura, à poesia, à música, à experiência institucional, à convivência com autoridades e diferentes públicos e até a situações de bastidores. Mas cada evento exige critério que só serve ali, naquela situação. Minha tarefa é somar ao evento naquilo a que ele se propõe.

 NOTÍCIA JÁ O que permanece igual quando muda o palco?

Jaime Telles O princípio de que todo evento tem aura própria. Aconteça o que acontecer, o público deve sair com a sensação de que tudo deu certo e de que os aplausos foram merecidos. É assim que tenho trabalhado, tanto nos eventos como em minhas palestras.

O NOTÍCIA JÁ agradece a gentileza da entrevista e cumprimenta Jaime Telles pelo profissionalismo e pela contribuição à arte de conduzir eventos. 

JAIME TELLES
JAIME TELLES

JAIME TELLES

Reside em Joaçaba desde 1995.
Autor do livro Caminhos e Descaminhos da Oratória.
Diretor Literário e Orador do Teatro Alfredo Sigwalt, de Joaçaba.
Membro e orador do Instituto Histórico e Geográfico do Oeste Catarinense.
Membro da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina (ALBSC).
Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina.
Autor de diversos hinos oficiais públicos e institucionais.
Produtor e coordenador de eventos artísticos e culturais.

DESTAQUE - Todos têm o direito de ficar tensos, menos eu.

FONTE/CRÉDITOS: Da Redação

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