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Uma construtora e incorporadora de Blumenau conseguiu antecipar o cronograma de suas obras em 12 meses ao adotar uma estratégia de gestão de caixa até então pouco explorada pelo setor: a antecipação estruturada de seus recebíveis. No mercado imobiliário, os custos com estudos de viabilidade, licenças ambientais, projetos e infraestrutura começam muito antes de o primeiro tijolo ser erguido, gerando um descompasso natural entre pagamentos e o recebimento das vendas.
Ao transformar seu portfólio de vendas a prazo em liquidez imediata, a empresa – que atua há 4 anos no mercado - passou a negociar insumos à vista com fornecedores, garantir equipes de execução com antecedência e acelerar o ritmo dos canteiros de obra.
"Tratamos a antecipação não como uma medida emergencial, mas como um instrumento permanente de planejamento. A agilidade no acesso ao recurso permitiu organizar pagamentos, coordenar fornecedores antes dos prazos convencionais e antecipar nossas entregas em seis meses a um ano. Isso reforça nossa credibilidade no mercado e dá segurança para planejar novos lançamentos", afirma Fernanda Punchirolli Torresani, CEO da construtora.
Juros altos e a corrida pelo R$ 1 trilhão - Essa virada de chave impulsionou a indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o patrimônio líquido desses fundos ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão no país em agosto de 2026 e continua sua escalada à passos largos. Como um dos principais braços de liquidez e inteligência financeira para o setor produtivo no sul, a SP CAPITAL tem liderado a estruturação dessas operações na região.
"Com o dinheiro mais caro, o principal risco para a média empresa é ficar presa a financiamentos engessados de longo prazo. O que vivenciamos no dia a dia do mercado é que a gestão de caixa virou uma questão estratégica de sobrevivência", analisa Luís Schneider, especialista em mercado de capitais e Diretor Presidente da SP CAPITAL Fundo de Investimentos. "Hoje, tão importante quanto vender ou produzir mais é saber estruturar o financiamento desse crescimento com flexibilidade e velocidade de caixa", ressalta.
Por trás da mudança: o novo marco da CVM - Essa agilidade no acesso ao dinheiro ganhou um empurrão decisivo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Inserida no novo arcabouço regulatório do setor, a Resolução CVM 240, que desde março deste ano está em vigor, desburocratizou a venda de direitos creditórios ao eliminar travas históricas — como restrições automáticas que travavam a cessão de créditos caso a empresa cedente tivesse parceiros comerciais em recuperação judicial. Agora, a análise foca estritamente no que importa: a qualidade do título e a garantia do pagador final.
Na avaliação da analista de crédito Sílvia Perazzolo, a mudança tirou o peso da burocracia das costas do empresário e trouxe dinamismo às aprovações. "A análise ficou mais objetiva e concentrada na saúde real do crédito. Isso cortou etapas jurídicas e reduziu drasticamente o tempo de resposta. A empresa consegue transformar suas vendas a prazo em dinheiro no caixa de forma muito mais rápida, sem abrir mão da segurança e da governança", conclui.
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