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Terça-feira, 11 de Agosto 2026
Colunas/OPINIÃO

E O CÉU NOS PÕE NO LUGAR

Por Jaime Telles

E O CÉU NOS PÕE NO LUGAR
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Movidos por incontida esperança, que beira a ilusão, porfiamos no terreno da ascensão evolutiva, ainda estupefatos ante o toque dos fenômenos. Inauguramos novos horizontes na pesquisa incansável sobre a constituição, a estrutura corpuscular e o estado radiante da matéria, surpreendendo-nos mais e mais diante do movimento de partículas infinitesimais, dos elementos hipostáticos, do enxofre, do sal e do mercúrio. Buscamos combinações no campo da forma, numa teimosia permitida pela divindade, neste infinito campo de ondas e raios, correntes e vibrações, onde palpitam eletricidade, magnetismo, movimento e atração, forças e fluidos, além dos fenômenos atômicos e subatômicos.

Cientes de que não somos exatamente donos do mundo, mas filho do Dono ansiamos desvendar posições e valores de mistérios que gravitam da Terra para o Céu e do Céu para a Terra.

Dentre incontáveis exemplos, mal percebemos a magnitude que nos alcança quando maiúscula energia, concentrada em riscos de fogo, atravessa o céu.

Em fração de segundo, ilumina distâncias que não medimos. Centenas de milhões de volts tensionam a atmosfera e se libertam em descarga de extraordinária potência. Não há fios. Nem turbinas.

O estrondo que sucede à luz atravessa vales, sacode vidraças e faz estremecer longas distâncias.

Um sopro impensável movimenta massa de ar de tamanho descomunal. Ao varrer os campos, retorce e esfacela troncos, arrepia telhados, atiça ondas e segue em direção ao improvável. E algum mistério ainda repousa sobre a origem daquele primeiro impulso.

Com aparente leveza, nuvens que podem carregar milhares — e até milhões — de toneladas de água permanecem suspensas sobre nossas cabeças. Do branco quase transparente ao negror da carga densa, alteram formas, cores e humores, como se obedecessem a algum comando maior. Viajam, crescem, desfazem-se. Parecem brincar quando desenham figuras no azul. Mas também não disfarçam o furor quando se agrupam e cobrem o firmamento até onde a vista alcança.

E chove.

A água que já foi vapor, condensou-se nas alturas, untou o céu e agora precipita de volta. Parece comprazer-se ao ver-se sugada pelo solo sedento, inaugurando outro prodígio.

Ao lavar minerais, dissolve substâncias, transporta nutrientes e alcança raízes que avançam nas profundezas.

Ah, prostram-se então, reverentes, todas as tecnologias quando uma discreta semente recebe o abraço úmido da terra e, sob temperatura propícia, rompe-se, busca a luz e simplesmente sobe. E se arvora como se ousasse alcançar o sol.

Efetiva-se o milagre da vida em nova forma.

O corriqueiro nada simples, de novo e de novo, desafia nossos sentidos: aquilo que caberia entre dois dedos rompe a terra, cresce, floresce e frutifica para começar tudo outra vez, no mais perfeito e benfazejo dos loopings.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles

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