Não. Em mais de 90% dos casos, acidentes envolvendo crianças e adolescentes são evitáveis. E são as maiores causas de internações hospitalares e de mortes por causas externas.
De acordo com o "Relatório Criança Segura 2026 – Hospitalizações e óbitos de crianças no Brasil", do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS, em 2024 foram registradas 3.341 mortes e, em 2025, 128.466 hospitalizações (357 por dia, 15 a cada hora) de crianças e adolescentes até 14 anos de idade. Em 2025, só no Rio Grande do Sul, foram 5.624 hospitalizações, o maior número dos últimos 10 anos, 8% acima de 2024.
São crianças e adolescentes que têm suas vidas suspensas ou precocemente interrompidas por causas evitáveis. Familiares impactados, muitas vezes enfrentando sequelas e lutos muito doídos.
Cair e levantar faz parte da vida. Mas ser cuidado também. Muitas leis, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), trazem esse direito. Existem as normas da ABNT e inúmeras leis específicas de prevenção e cuidado. Boa parte delas é resultado de um trauma evitável.
Como a Lei Lucas, Lei 13.722/2018, que determina que escolas ofereçam treinamento em primeiros socorros aos trabalhadores em educação. Para evitar que o que aconteceu com Lucas Begalli Zamora, 10 anos, que morreu por engasgo num passeio escolar, aconteça com outra criança.
Temos também a Lei das Goleiras, Lei Estadual 16.438/2025, do Rio Grande do Sul, que tornou obrigatória a fixação no solo das bases de traves de futebol e outras goleiras esportivas em todos os espaços públicos e privados.
Resultado da mobilização para que outras crianças não tivessem o mesmo fim da menina Marina Fallavena, 11 anos, que faleceu em 2022, em Porto Alegre, após uma goleira cair sobre ela. Como aconteceu nesta semana numa escola de Caxias do Sul, em que outra criança, também de 11 anos, partiu precocemente, o menino Fabian Alexander Zerpa Bermudez.
A dor das famílias e a memória destas e de tantas outras vítimas merecem respeito. Assim como suas tragédias precisam, no mínimo, nos ensinar a cuidar melhor. E a apoiar as famílias nesse cuidado, que é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público.
*José Carlos Sturza de Moraes é Cientista social e pesquisador do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se