O Brasil precisa urgentemente reencontrar os caminhos da Educação e da Cultura. Está aí uma das origens de muitos de nossos problemas. A perda de referências civilizatórias abriu espaço para a violência, as drogas, a criminalidade, a intolerância e a desagregação familiar.
Como chamar de evolução cultural uma distopia que, na prática, representou o rebaixamento de critérios?
Não basta aprovar novas leis para combater os efeitos quando não olhamos para as causas. Onde falham a Educação e a Cultura, a barbárie encontra espaço e a corrupção pode avançar até os mais altos gabinetes.
É preciso reconstruir esse caminho, desgastado por influências que, nas últimas décadas, alcançaram repartições públicas e ocuparam espaços na educação, na mídia e nas artes, inspiradas por correntes de pensamento e pela ideia de hegemonia cultural.
Houve um tempo em que uma pessoa educada e culta possuía conhecimento, aprendia também a ser gentil, respeitosa, asseada, responsável, paciente e estudiosa. Sabia ouvir, falar e comportar-se. A família ensinava, a escola reforçava e a sociedade reconhecia esses valores.
Havia uma régua. Mas ela foi quebrada.
Na cultura, os critérios foram relativizados. Na música de consumo massivo, a cadência muitas vezes ganhou mais importância que a letra e a melodia. Nas artes, o estrago foi incalculável quando se passou a considerar que qualquer rabisco pode ser arte, qualquer ruído, música, e qualquer vulgaridade, autenticidade. A arte brasileira acabou entregue ao “tanto faz”: faça qualquer coisa, afirme que é arte e todos serão obrigados a reconhecê-la como tal.
A família perdeu protagonismo, a escola perdeu autoridade e o professor perdeu parte do respeito que sua missão exige.
A reprovação deveria significar: comece de novo, supere suas dificuldades e faça melhor. Quando um aluno avança de série sem dominar conhecimentos essenciais, ele é o primeiro a perder.
Nas universidades, também houve profundas mudanças. Com toda a vênia aos professores extraordinários, pesquisadores sérios, estudantes dedicados e ambientes acadêmicos de excelência que permanecem, é preciso reconhecer que, em alguns espaços, a militância passou a ocupar território que deveria pertencer ao conhecimento, à investigação e ao contraditório.
A universidade não pode se transformar em ambiente onde determinadas ideias sejam previamente autorizadas e outras condenadas ao silêncio. É o empobrecimento intelectual justamente onde deveriam se ampliar os horizontes.
Religiões tradicionais que já exerceram importante papel na formação moral e educacional das comunidades envelhecem, enquanto a mercantilização da fé transforma púlpitos em balcões, milagres em produtos e a esperança em mercadoria.
Família fragilizada. Escola desautorizada. Universidade politizada. Cultura vulgarizada. Religião mercantilizada. Relações descartáveis.
Depois nos espantamos com a violência, os vícios, a criminalidade, o desamor familiar e a crescente incapacidade de conviver com quem pensa diferente.
O caminho passa pela recuperação de critérios: distinguir argumento de propaganda, conhecimento de opinião, liberdade de permissividade, arte de impostura e espiritualidade de exploração. É preciso formar cidadãos capazes de interpretar os cenários e fazer escolhas melhores, responsáveis e duradouras.
Também é preciso recuperar a coerência no debate sobre liberdade e censura. Quem combateu a censura não pode, ao chegar ao poder, transformar-se em seu novo praticante.
Enquanto isso, continuemos regando nossos jardins e acreditando em novos tempos de revalorização da família, da escola, do professor, do conhecimento, da disciplina, do respeito, do mérito, da responsabilidade, da boa arte, da formação cultural e da verdade que liberta.
Resgatemos a Educação e a Cultura, pilares centrais do desenvolvimento humano e social. O restante, por consequência, poderá seguir esse fluxo.
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