Nosso olhar passeia pelo calendário e instintivamente busca o quarto quadrado do róseo mês. Chegou outubro. E chegou diferente. Decisivo e resoluto.
Depois dele, o que será do Brasil?
Mais do que aplaudir quem grita mais alto, o momento nacional é de conjecturar caminhos, dentro das quatro linhas da vilipendiada Constituição, que há de ter recuperada sua magnitude.
Somos chamados a praticar um breve ato capaz de interferir no curso das coisas. Ao menos é o que prometem os envolvidos.
Breve e discreto ato. Individual, secreto, silencioso — e poderoso.
Então, o verbo é agir. Que remete a reagir.
Toda democracia precisa olhar para si mesma sem maquiagem. Antes de decidir o amanhã, convém perguntar: o que funcionou? O que permaneceu apenas no discurso? As instituições foram cumpridoras ou joguetes?
Quem e o que merece continuidade?
O que exige corrigenda?
As redes sociais gritaram dia e noite a voz já gasta da paixão partidária, entre slogans, vídeos recortados, frases de efeito e devoções arvoradas, muitas vezes montadas sobre o lombo da deseducação que campeia. Há, felizmente, nobres oásis onde o saber ainda encontra guarida no grande deserto de travestida ignomínia.
Quem dera não houvesse senhas e segredos onde se jurou candura.
Passa longe de mera sensação. É dura realidade, tanta desconfiança a brotar por entre fatos novos e velhos vícios.
A tal independência que setembro propalou, não passa ainda de morosa construção de elevado custo. Susto e mais susto a cada revelação. Quando atos controversos são apresentados em nome da democracia, o ânimo até arrefece, mas pulsa ainda a esperança.
Avança no peito ímpeto de ajudar nesta causa que parece distante — até o instante em que percebemos que é tudo para já.
Há, sim, naquele ato individual, um compromisso sem igual, capaz de repercutir sobre a Nação inteira. Noção verdadeira do que seja Nação e do quanto precisamos recuperar a régua.
É sobre isso este outubro.
Que a lucidez, desde já, tome posse. Que possamos superar o turbilhão de distorções e invencionices de última hora tentando embaralhar até o pouco que acreditamos saber.
Com maiúsculo jota, a Justiça há de ser reescrita, para que a verdadeira dimensão daquele domingo vá além da mera relação dos dispendiosos cargos, a não mais serem ocupados por dispensáveis.
Que sejam auspiciosos os livros do amanhã. Pois histórico já é este outubro, sobre o qual nos debruçamos, corremos — e concorremos.
Que país queremos encontrar depois da curva?
Choraremos ao cair da noite domingueira ou vararemos a madrugada celebrando aquilo que enxergue como esperança?
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