O Brasil continua a enfrentar o desafio de diminuir os casos de hepatites virais, com foco na prevenção, diagnóstico e tratamento. Para se ter uma ideia, a doença é responsável por, aproximadamente, cerca de 1,4 milhões de mortes por ano no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose associados aos tipos virais. "Os principais tipos de hepatite viral são o tipo A, o tipo B e o tipo C. De todos os três, o que mais leva a cirrose e ao câncer no fígado é a hepatite C", explica da médica gastroenterologista, Josiane Fischer, membro da Associação Brusquense de Medicina,
Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, houve um aumento na incidência da hepatite A entre 2022 e 2024, após uma década de queda. Em 2024, a taxa de incidência foi de 1,7 casos por 100 mil habitantes, representando um aumento de 54,5% em relação a 2023. Já para as hepatites B e C, o Governo tem apostado em um abrangente sistema público de vacinação, que garante a oferta de terapias e testagem para esses tipos de hepatites. Entre 2014 e 2024, o país reduziu em 50% os óbitos por hepatite B.
Lembrando que, a hepatite viral é uma inflamação do fígado causada por vírus. A gravidade da doença pode variar, e em casos severos, pode levar à insuficiência hepática, com a necessidade de transplante de fígado. Em situações de hepatite crônica, que perdura por longos períodos, podem ocorrer complicações como cirrose e, em casos mais graves, o desenvolvimento de câncer no fígado.
Conforme a médica Josiane Fischer, "a hepatite A é transmitida pela via fecal oral, ou seja, pelo consumo de água e alimentos contaminados ou pelo contato próximo com pessoas infectadas. A hepatite B é transmitida pelo contato com sangue contaminado, ou seja, compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de manicure, tatuagens, relações sexuais desprotegidas e também na gestação e no parto quando passa da mãe para o filho. Já a hepatite C é transmitida, principalmente, pelo contato com sangue contaminado, como compartilhamento de seringas e agulhas".
É importante lembrar ainda que, quem teve hepatite A antes dos 11 anos de idade pode doar sangue. Quem teve depois, deve esperar pelo menos um ano para poder doar sangue e deve-se avisar o entrevistador, pois ele vai solicitar alguns exames adicionais.

SINTOMAS - A médica lembra que é fundamental ficar atento aos sintomas da doença, pois as hepatites virais apresentam duas formas clínicas. "A forma aguda, quando a contaminação é recente, a pessoa se apresenta amarelada, com icterícia e também pode ter febre, dor no corpo, enjoos, vômitos. E a forma crônica, quando praticamente não tem sintomas. E a pessoa só vai ter sintomas quando já for um quadro de cirrose, um quadro mais avançado, ou quando tiver câncer no fígado, que pode ter sintomas como icterícia, dor abdominal, a ascite- que é o aumento de volume abdominal, emagrecimento, náuseas e vômitos", esclarece.
TRATAMENTO - A gastroenterologista, reforça que há tratamento para as hepatites virais. "As hepatites B e C tem tratamento fornecido pelo SUS, a hepatite B tem tratamento e tem vacina. A vacina da hepatite B é aplicada no nascimento desde 1990, porém se você nasceu antes desta data, procure sua carteirinha de vacinação e veja se você está imunizado, caso não esteja, procure uma unidade de saúde para fazer a vacina. A hepatite C não tem vacina, mas tem cura, então faça o teste e procure tratamento adequado", frisa a médica.

PREVENÇÃO - A data de 28 de julho foi escolhida como o Dia Mundial de Prevenção às Hepatites Virais e a meta de todos é orientar e prevenir a doença, por isso é importante ficar atento às formas de prevenção, conforme reforça a médica gastroenterologista, Josiane Fischer.
"Para se evitar uma contaminação pela hepatite B, é importante fazer a vacina, evitar o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear e materiais de manicure, utilizar preservativos nas relações sexuais e fazer certinho o acompanhamento pré-natal. Para evitar mais a hepatite C, também cuidar com o compartilhamento de seringas, agulhas, materiais de manicure e lâminas de barbear. E mais, sempre procurar seu médico de confiança para fazer seus exames anuais", conclui.

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