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Domingo, 16 de Agosto 2026
Colunas/OPINIÃO

TERRAS RARAS E “PEÇAS RARAS”

Por Jaime Telles

TERRAS RARAS E “PEÇAS RARAS”
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Desde o Descobrimento do Brasil, o país carrega uma marca difícil de apagar: a de território rico, mas probremente explorado. Primeiro foi o pau-brasil. Depois o ouro e os diamantes de Minas Gerais. Em seguida, o café, o ferro, o petróleo. Agora, as terras raras e o nióbio. Mudam os ciclos, mudam os discursos, mas a lógica permanece desconfortavelmente parecida: extraímos, exportamos e assistimos outros transformarem. O Brasil é um dos países mais ricos do planeta em recursos naturais. Detém reservas relevantes de nióbio, praticamente dominante nesse mercado, além de vastas jazidas minerais estratégicas. Ainda assim, não lidera as cadeias produtivas mais lucrativas. Quem domina tecnologia, indústria e escala dita as regras. Hoje, esse papel é ocupado, em grande medida, pela China. E nós temos o quê, em qual parte do mundo? Não me venha falar de futebol. Por favor!

Como um país tão rico continua tão distante da prosperidade? Por que a maioria do povo vive tão mal e sabe tão pouco? De novelas sabem muito, infelizmente.

Parte da resposta está na forma como negociamos nossas riquezas. Ao longo das décadas, ativos estratégicos foram concedidos, vendidos ou explorados com baixa capacidade de agregação de valor interno. Não importa quem comprou,  mas como vendemos: muitas vezes sem estratégia de longo prazo. O discurso sobre soberania e desenvolvimento aparece com força, mas é só da boca pra fora. Na prática, o país ainda patina na transformação estrutural dessas riquezas em inovação, tecnologia e indústria forte. A dependência externa persiste. O mundo não nos vê como protagonistas tecnológicos. Não passamos de humildes fornecedores de matéria-prima.

E aqui entra a diferença entre o “sábio” e o “sabido”. O sabido faz negócio rápido. Vende barato, comemora o imediato, exibe números. O sábio constrói valor. Pensa cadeia produtiva, domínio tecnológico, autonomia. Um entrega hoje e perde amanhã. O outro, planta hoje para colher poder depois. O Brasil, muitas vezes, age com ingenuidade infantil, que troca uma nota de duzentos por dez de dois e ainda sorri com a sensação de vantagem. Não sabe o valor do possui.

Enquanto isso, seguimos produzindo também nossas “peças raras” na vida pública. A bolsa vergonha os leva ao poder, porque tiraram de muitos eleitores a condição de saber a força transformadora do voto.

O próximo presidente, seja quem for, que queira e possa lançar um novo olhar sobre essas questões.

Porque riqueza bruta nunca foi o nosso problema. O problema sempre foi o que fazemos, ou deixamos de fazer com ela. Inclusive o voto.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles

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