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ENTREVISTAS

Tenho coragem de fazer, diz Ideli
Elias Silveira
Publicado em Mai 23, 2010

Por conta de sua raiz italiana, ou de sua boa fase amorosa, a senadora Ideli Salvatti consegue enxergar até mesmo numa disputa eleitoral um caso de paixão. “As pessoas se apresentam, querem iniciar um namoro e buscam cativar o eleitor com suas ideías, para que eles também se apaixonem”, romantiza. Acentua, porém, que está se preparando para um debate de muita qualidade, nessa corrida pelo comando do Executivo estadual.
 
“O tempero será dado pelo estilo de cada candidato, mas o prato principal tem que ser com propostas sólidas, bem fundamentadas”, alega. Ideli acredita que, na hora de votar, o catarinense vai olhar, sim, o passado, a biografia dos candidatos, e também o plano de governo e filiação partidária. “ Ele mistura tudo e tira suas conclusões”, supõe.
 
Sobre o fato de ser a única entre os pré-candidatos ao Governo estadual sem experiência no Executivo, Ideli rebate “longe de mim a comparação, mas o presidente Lula também não tinha”. Em mais um momento enfático, diz que “nem morta”, desiste de sua candidatura. Acompanhe os principais pontos da entrevista exclusiva aos jornais da Adjori/SC.
 
PRIORIDADES - Além das questões de Infraestrutura e Saúde, que aparecem praticamente em todas regiões, a senadora Ideli está elencando a “prioridade zero” , na série de encontros regionais que o Partido dos Trabalhadores está promovendo em diversas localidades do Estado. No evento no Planalto Serrano, identificou a necessidade de maior inclusão social como a principal demanda. “É uma região ainda deprimida econômica e socialmente”, disse.
 
Citou o estudo apresentado pelo reitor da Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense), que aponta a Educação Básica na região com um dos menores índices do Estado. “Já no Oeste, o maior problema é a Água, tanto pelo avanço da contaminação de dois dos mais importantes aquíferos (Guarani e Serra Geral) como pelas estiagens, que levam a situações de Emergência cada vez mais frequentes”, observou. A senadora lembrou que na região há estâncias hidrominerais que vão perder seu principal apelo turístico caso a questão Água (abastecimento, tratamento, descontaminação) não se solucione adequadamente e alertou para os problemas relacionados com a barragem Foz do Chapecó, na iminência de ser inaugurada.
 
“De um lado, a Foz do Chapecó retira água das estâncias hidrominerais e de outro alaga uma área em que existem inúmeros poços (fossas) das propriedades que, se não estiverem totalmente lacrados, irão provocar um desastre ambiental”, alertou. A senadora disse que o Ibama não emitirá licença ambiental sem a certeza de que não haverá risco de contaminação.
 
ORÇAMENTO REGIONALIZADO - A senadora não só defende a iniciativa como garante que, se eleita, vai incorporar todas essas demandas levantadas através de 13 audiências públicas promovidas pela Assembleia Legislativa ao longo do ano. Atribuiu à falta de vontade política o fato de os governantes não incluírem as obras pedidas pela população na peça orçamentária estadual. “Elegem outras prioridades”, lamentou. Ideli disse que as sugestões das associações de municípios e das entidades empresariais também serão levadas em conta. “ Essas entidades têm muita vivência dos problemas locais e das possíveis soluções”, alegou.
 
SDR - “Somos defensoras do desenvolvimento regional. Não há possibilidade do Estado ser forte se houver regiões subdesenvolvidas. O número de SDRs, sua estrutura, o papel que vão desempenhar, tudo isso será definido com os principais interessados, que são as regiões” argumentou. Ideli justifica essa regionalização pela diversidade étnica e cultural de Santa Catarina.

FUNCIONALISMO - A senadora petista acha que será lento o processo para reduzir o fosso que se criou entre os salários mais altos (percebidos pelos cargos mais burocráticos) e os mais baixos, “que são de quem realmente atende a população, como o professor que está na sala de aula, a enfermeira que atende doentes e o policial que está nas ruas”, disse.
 
Ela reconhece que o serviço público tem que funcionar, e  só pode ser feito com o funcionário público, e espera encontrar os mecanismos que façam mais justiça a quem está na ponta da prestação de serviços. Lembrou que o Vale Alimentação, que ajudou a implantar, foi uma maneira de reforçar o ganho do funcionalismo.

RENÚNCIA FISCAL - Ideli acha que a renúncia fiscal, por meio de Fundos que incentivam a atividade econômica, a cultura, o turismo e o esporte, tem que ser revista. “É muito dinheiro. São R$ 4 bilhões/ano, que é praticamente 1/3 do orçamento do Estado. É preciso saber quem recebe, se gera emprego, qual o efeito real disso para a economia estadual”, questiona. Para ela, a política de incentivo tem que ser ferramenta para o desenvolvimento mais equilíbrado das regiões.

COMUNICAÇÃO - Ideli vê acertos na política de Comunicação do atual governo. “Assino embaixo”, disse. Para a senadora, tudo o que passa pelo fortalecimento regional tem que ser valorizado. “O rádio local, o jornal local, a TV local, que falam a língua local, que valorizam a cultura e as peculiaridades locais terão nosso total apoio”, garante.





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