De forma sutil, a vida insiste em nos provocar sobre o quanto estamos — e se estamos — dispostos a aprender. O entorno é vasto, mas nem sempre o percebemos, tão direcionado pode estar nosso olhar para uma rotina que limita.
Conhecimento não tem endereço exclusivo. Mora no mundo, e o mundo também passa a morar na mente de quem se interessa por ele.
A mente é o lugar oculto onde o mundo é recebido, selecionado e transformado em conhecimento. Nela guardamos experiências, percepções, lembranças, emoções e aprendizados. Um armazém sem paredes aparentes, que cresce a cada contato. E lá vem mais conhecimento: às vezes camuflado, outras vezes escancarado numa conversa, numa experiência, numa lembrança ou na simplicidade de alguém que aprendeu vivendo.
Por isso, é preciso predisposição para encontrá-lo. Entre tantos quereres, que também queiramos aprender, conhecer, evoluir.
Precisamos circular entre pessoas que pensam ou não como nós, que estudaram mais ou menos, tiveram outras oportunidades, conheceram lugares que desconhecemos ou enfrentaram circunstâncias pelas quais nunca passamos.
Há um mundo inteiro além da porta de casa.
Há gente interessante onde jamais pensamos procurar. Há conhecimento em pessoas sem diplomas e ignorância entre diplomados.
É preciso estar disponível. Perguntar. Ouvir. Observar. Comparar. Duvidar. Refletir. Compartilhar.
Uma boa conversa pode oferecer aquilo que uma longa leitura não ofereceu. Um trabalhador experiente pode explicar em minutos o que levou décadas para aprender. Um idoso pode guardar uma história que nenhum arquivo registrou. Um jovem pode enxergar uma possibilidade que nossa experiência deixou escapar.
Aprendemos até com quem discordamos, pois ouvir não significa aderir. Conhecer não significa imitar. Ideias diferentes podem fortalecer nossas convicções ou nos ajudar a reconhecer quando alguma delas merece ser revista.
A liberdade também está nisso: podemos escolher onde procurar, a quem ouvir e o que fazer com aquilo que encontramos.
O livre-arbítrio continua sendo seu. Os princípios continuam sendo seus. O discernimento é o filtro daquilo que você absorve por essa máquina incrível que tem na cachola.
Então, diga-me com quem andas. Não para que eu te diga quem és.
Mas para que você mesmo exercite sua predisposição para ir além e se torne apto a fazer mais e melhor.
A humanidade é uma biblioteca aberta.
Seria enorme desperdício atravessá-la consultando sempre a mesma prateleira.
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