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Quinta-feira, 20 de Agosto 2026
Colunas/OPINIÃO

O CAPETA É DOSE!

Por Jaime Telles

O CAPETA É DOSE!
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Fanfarrão e envolvente, o tinhoso sempre acha um jeito de pregar peças, brincar com nossa serenidade e nos empurrar ladeira abaixo.

Um sintoma bem atual é a impaciência de muitos para que chegue logo o fim de semana. Mal chega quarta-feira e, se pudessem, muitos pulariam a quinta e já cairiam de cabeça na sexta-feira. Ah, finalmente, chega o grande dia!

E o que há de tão extraordinário na sexta-feira?

“Ora”, alguns dirão: “É dia de sair mais cedo, encontrar os amigos, “tomar uma”, relaxar depois de uma semana puxada. Nada demais, certo?

Talvez devêssemos pensar um pouco mais sobre esse “nada demais”.

Não estou falando aqui em proibir ninguém de beber. Tampouco em tornar dependente qualquer pessoa que consuma álcool. A questão é outra: o quanto o álcool foi incorporado à nossa cultura como parte quase obrigatória da recompensa, da diversão e até do descanso.

Trabalhamos para chegar à sexta e emendar o fim de semana na mesma batida, como se o trabalho fosse um intruso que atrapalha e faz demorar esse grande momento.

E aí sempre sobram motivos para beber. E beber mais um pouco.

Que lógica é essa?

Por que, tantas vezes, a bebida aparece como personagem indispensável e insubstituível?

Por que somos levados a achar que sexta-feira combina com bebida alcoólica? Que futebol combina com cerveja. Que churrasco combina com caipirinha. Que praia, festa, balada e até encontros familiares ou certas festas religiosas precisam de alguma bebida que nos altera os sentidos.

E não importa se é tristeza ou alegria: sempre aparece um motivo para beber.

Bebe-se para comemorar, para esquecer, para relaxar, para socializar...

E, em algum momento, parece que simplesmente ficar sem beber passou a exigir explicação.

“Você não bebe?”

A pergunta, por si só, já revela alguma coisa.

Como se a abstinência fosse a exceção e o consumo, a regra.

Seria uma espécie de alcoolismo cultural?

O que há com a sociedade que tornou o álcool tão cotidiano e tão socialmente aceito?  Não é possível prever o que vem em consequência de seu consumo.

A publicidade incentiva. O calor provoca. A companhia convida. A música celebra. E a bebida aparece sorrindo.

Você faz ideia de quanto há nas artes, que fazem apologia ao álcool?

E aí as grandes marcas vendem status, diversão e sensações, inclusive de pertencimento.

Mas, quase sempre há a outra face da história onde as consequências viram páginas de sangue.

Falo sobre a decisão tomada quando o discernimento já foi embora.

Na próxima sexta-feira, essa faceta cultural vai induzir e conduzir muita gente.

Ocorre que nossas melhores ideias de lazer estão fora da garrafa, da latinha e do copo “martelinho”.

Talvez seja por isso que a sexta-feira tenha adquirido um significado quase religioso.

Ela chega como uma espécie de salvo-conduto:

“Agora eu posso.” Porque não sou de ferro!

Ora, desde quando precisamos disso para ver graça ou sentido na vida?

Crianças e adolescentes crescem vendo essas cenas, ouvindo essas justificativas e aspirando, muitas vezes literalmente, o hálito que o bafômetro detecta.

Não precisamos demonizar a bebida para reconhecer seus riscos.

O que aconteceu com a nossa capacidade de encontrar prazer fora da bebida ou controle sobre beber ou não? Ou simplesmente saber a diferença entre degustação e porre.

E, antes que alguém pergunte sobre o capeta: Imagino que esteja nalguma sarjeta, muito ocupado, gargalhando ao ouvido de algum bebum.

Aliás, que dia é hoje?

Bora tomar uma atitude.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles

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