Serpenteavas, cristalino, morro abaixo,
antes que o ferro rasgasse os vales
e o machado abrisse clareiras.
Os sinos ainda moravam em sonhos
quando já sorrias para as montanhas,
duplicando o arrebol entre as brumas da Serra Geral.
Confabulavas com as pedras, em respingos e banhos.
Teu desenho encantava a lua,
merecendo ainda demorados afagos do sol.
Teu traçado deu rumo à geografia do futuro
e o acaso te vestiu de eternidade,
obediente ao dedo invisível da Criação.
Os originários, que já não vês,
foram os primeiros a palestrar contigo,
no idioma secreto das correntezas.
Outros rostos se achegaram.
Passos densos, remos firmes e tração animal.
Tropeadas desbravantes riscaram o mapa.
Estirpes de outros mares derramaram-se pelas praias
ombros esfolados por sonhos e esperança.
Ante a riqueza que inspira tuas margens,
novas sementes germinaram em terras untas.
Ramas e frutos coloriram as íngremes barrancas.
Horizonte ambicionado para novos chegantes.
Ergueram-se casebres, capelas e salas de ensino,
entre abraços e braçadas neste irmão.
Eis que vilas brilharam, junto a cidades,
caminhos e pontes permissivos.
A efêmera existência fez-se poesia e passado,
pois o que guardas no nome
pouco abunda em teu leito.
Um trilho traduziu novidade longitudinal.
Serras e machados rugiram da mata ao campo,
de queimadas a verdejantes cachos e espigas,
de cascatas movendo nórias e sarilhos.
Em ambos os teus lados, cidades ouvem tua voz.
Gratos por tua bonança, conhecemos, porém, teu humor:
dos plácidos dias às medonhas noites,
quando tua força mostrou sua face atroz.
Silenciosos anelos clamam ao Empíreo
que sigas, bela sílaba do grande poema.
Que forças titânicas se conjuguem em desígnios antigos,
e, após a travessia d'O Menino,
orgulhosos grafemos maiúsculos nomes:
Zeus, Poseidon, Anemoi, Jeoyá, Iansã, Tupã
ou Jesus, a reger o coro de serafins sobre o Pacífico Equatorial,
num entoar de divinal sinfonia, em comoventes louvores.
Porque a Ele, sim, os silfos obedecem
Comentários: