A noite de sexta-feira, 29 de maio, foi de emoção, beleza e orgulho em Brusque. A 13ª edição do Desfile das Costureiras e dos Costureiros transformou a Sociedade Esportiva Bandeirante em uma grande celebração à profissão que está na base de uma das principais cadeias produtivas da cidade e região.
Com o tema “Sonhos e Tons”, o evento reuniu cerca de 70 costureiras e costureiros na passarela. Entre eles, profissionais com décadas de experiência, estudantes em formação, jovens iniciantes, mães, filhas, homens, mulheres e pessoas que chegaram de outros estados e encontraram na costura uma oportunidade de trabalho, renda, recomeço e pertencimento.
Mais que um desfile, a noite revelou histórias. Em cada look, havia pesquisa, criação, técnica e muitas horas de dedicação. Em cada entrada, havia também um nome, uma origem, uma família, uma memória e um sonho. A costura, tantas vezes invisível aos olhos de quem veste a peça pronta, ganhou rosto, presença e aplauso.
A abertura teve como inspiração a música “Colorir Papel”, em sintonia com o tema da edição. A partir dali, a passarela se abriu para os grandes protagonistas da noite: as costureiras e os costureiros.
Com realização do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Brusque e Região (Sintrivest) e do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Brusque e Região (Sindivest), e parceria da Unifebe, AmpeBr, Senai e Senac, o evento também contou com apoio da Fiesc, Sociedade Esportiva Bandeirante e Sentire Formaturas.
A edição recebeu o apoio de empresas que contribuíram com tecidos, looks e colaboração para a realização do desfile: Arafede Malhas, Boutique dos Tecidos, Cosh Jens, Jagar, Grupo EZ, KFK, Lua Luá, Warusky, RC Conti – Mensageiro dos Sonhos, Grupo RosaMaria, Sly Wear e Ents Encantos. A participação das empresas reforçou a integração entre entidades, instituições de ensino, indústria e profissionais da costura em torno da valorização da categoria.
Reconhecimento a quem está na base da produção - Para a presidente do Sintrivest, Marli Leandro, o desfile reafirma a importância de valorizar quem faz parte da construção diária da indústria do vestuário. Segundo ela, ver costureiras e costureiros na passarela, muitos emocionados, nervosos e felizes, traduz o verdadeiro sentido do evento.
“É sempre um momento de muita alegria, de muita emoção e de muito entusiasmo. Ver a alegria delas e deles pisando na passarela, mostra o quanto esse evento deu certo. As costureiras e os costureiros merecem essa homenagem por todo o protagonismo que têm na cadeia produtiva da nossa cidade e região”, destacou.
Marli lembrou que a costura também acolhe pessoas de diferentes lugares e abre novas possibilidades de vida. Para ela, o tema “Sonhos e Tons” expressou a essência de muitas trajetórias apresentadas na passarela.
“Elas têm sonhos. Eles têm sonhos. E muitos desses sonhos conseguem ser realizados por meio da profissão, por meio da costura. É isso que torna esta noite tão especial”, afirmou.
A presidente do Sindivest, Patricia Conti, trouxe à noite uma reflexão sobre o valor humano da costura em um mundo cada vez mais tecnológico. Recém-chegada de uma viagem à China, onde visitou indústrias altamente automatizadas, ela disse ter voltado a Brusque com um novo olhar para a base da indústria local.
“Quando chego aqui, olho para a minha cidade, para a nossa indústria e para esse evento, percebo que existem coisas que não estão na China, que não estão em lugar nenhum do mundo. Chama-se talento e amor”, afirmou.
Para Patricia, o desfile mostrou o cuidado, o carinho e a emoção presentes em cada peça. Ela também ressaltou a união entre sindicato laboral, sindicato patronal e instituições parceiras em torno de uma causa comum.
“Existe tanta energia positiva e tanta mão dada nessa roda, que não tem como dar errado. A costura é a base de uma cadeia produtiva, mas também é arte”, disse.
Formação profissional também passou pela passarela - Além da emoção, a 13ª edição evidenciou a força das instituições de ensino na formação de novos profissionais para o setor.
A coordenadora de Educação Profissional do Senai da região do Vale do Itajaí Mirim, Fabiane Fantoni Winter, destacou que o Senai oferece, em parceria com Sintrivest e Sindivest, o curso básico de costura de forma gratuita. Para muitas pessoas, a formação representa a primeira oportunidade de qualificação.
“São pessoas que, às vezes, não teriam condição de pagar por um curso, mas encontram nele uma nova perspectiva de vida e de profissão. A costura é uma área muito forte na nossa cidade, com indústrias que precisam desse perfil profissional”, explicou.
Pelo quinto ano, o Senac também participou do desfile. De acordo com o coordenador de cursos da Faculdade Senac, Edison Correa, a edição deste ano envolveu alunos do curso de costura, da turma de Moda e Estilo e de modelista, em um processo que reuniu criação, planejamento, modelagem e execução das peças.
“O que foi apresentado na passarela é uma mini coleção, uma coleção cápsula. Tivemos a criação, o planejamento, a modelagem e a costura das peças, tudo com a participação dos alunos e o apoio das professoras”, explicou.
A Unifebe marcou presença com acadêmicas do curso de Design de Moda e uma representante do curso de extensão Design de Moda 40+. Para a professora Jô Rosa, coordenadora do curso, a participação reuniu diferentes gerações dentro da moda.
“Nós trouxemos acadêmicas do curso e uma mulher madura, com aproximadamente 70 anos, que costurou o próprio look e desfilou. É um encontro de gerações dentro da moda, com estudantes em formação e uma mulher que representa toda a experiência da costura na nossa região”, destacou.
A AmpeBr também levou à passarela participantes da Escola de Costura da entidade. O presidente Mauro Schoening destacou que, em seis anos, a escola já formou mais de 1.500 alunas e alunos, muitos inseridos no mercado de trabalho.
“A gente sente a missão cumprida ao receber alguém que vem de qualquer lugar e quer aprender uma profissão para levar para a vida toda. Por isso este evento é tão bonito, porque traz essas histórias, porque reúne várias entidades para valorizar as costureiras e os costureiros”, afirmou.
Histórias que deram vida ao desfile - A força do evento esteve, sobretudo, nas histórias de quem passou pela passarela. Uma delas foi a de Sabrina Stoker, participante da Unifebe. Ela desfilou pela primeira vez com um vestido azul deslumbrante, criado e costurado por ela mesma. Acadêmica da primeira fase do curso de Design de Moda, Sabrina chegou recentemente a Brusque para estudar. Antes, morava em Canoinhas, e a memória afetiva com a casa cercada pela natureza, apareceu no look, inspirado nas flores, no cotidiano e no tema “Sonhos e Tons”.
“Quando apresentaram o tema, eu já comecei a imaginar. Desenhei o look, ele foi aprovado e depois comecei a confecção. Foi tudo feito por mim”, contou.
Prestes a entrar na passarela, Sabrina dizia estar “incrivelmente calma, por enquanto”, embora imaginasse que o nervosismo chegaria no momento do desfile. O interesse pela costura vem desde a infância, quando gostava de desenhar e costurar vestidos para bonecas. Aos 12 anos, a mãe a colocou em um curso de costura. Anos depois, essa memória ganhou forma na passarela.
Melquides Fernandes Medeiros, natural de Manaus, chegou a Brusque em fevereiro, depois que a esposa, enfermeira no Hospital Azambuja, veio antes para a cidade. Sem experiência anterior na costura, iniciou o curso no Senai ao lado da filha de 15 anos, que também desfilou. Em poucos meses, a mudança de cidade se transformou em recomeço, aprendizado e presença na passarela.
“Eu nunca imaginei que estaria aqui, em um desfile. Estou há quatro meses em Brusque, e resolvi fazer o curso de costura como uma oportunidade de ter uma nova profissão”, contou.
Ana Laura dos Reis Fermino participou do desfile pela primeira vez pelo Senac. Aos 25 anos, estudante do curso de corte e costura, ela chegou à passarela ansiosa e com o frio na barriga de quem vive uma experiência nova. Ela também destacou a gratidão pelo apoio recebido no processo de preparação do look e pela oportunidade de participar do evento.
Rosierica Silva da Silva, que já havia participado de outras edições, voltou à passarela pela AmpeBr. Com cinco anos de profissão, ela contou que os próprios alunos participaram da produção dos looks, inclusive dos bordados, com apoio da professora Bel.
Para Rosierica, o desfile valoriza uma profissão que atravessa gerações. “A costura, desde muitos séculos, está presente no mundo. É uma profissão incrível, que veste diferentes pessoas e diferentes realidades”, afirmou.
Ligiane Helena Andreoli, com mais de 20 anos de profissão, participou pela quarta vez do desfile. Natural de Toledo, no Paraná, ela trabalha na Sly Wear e desfilou com look da empresa. Mesmo já acostumada à passarela, contou que a emoção se renova a cada edição.
“É bem legal, porque a gente se diverte, está com as colegas de trabalho e se sente valorizada. É uma data importante. Hoje a gente está aqui para dar valor para nós mesmas e receber o aplauso das pessoas”, destacou.
Camila de Freitas também levou para a passarela uma trajetória construída desde muito cedo. Aos 28 anos, ela costura há 13, e participou pela segunda vez do desfile.
“É uma gratidão estar aqui mais uma vez, nessa passarela, porque é o reconhecimento do trabalho de cada um, do que cada um faz e representa dentro da empresa”, destacou. Nesta edição, Camila desfilou com look Mensageiro dos Sonhos, da RC Conti.
Homenagem às gerações da costura - Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a homenagem especial à costureira Rosana Duarte, no quadro “Gerações da Costura”.
Filha, neta, sobrinha e bisneta de costureiras, Rosana representou as muitas famílias de Brusque e região, em que a costura atravessou gerações, entrou nas casas, sustentou famílias e ensinou que o trabalho feito com as mãos, também carrega memória, afeto e dignidade.
Ao homenagear Rosana, o desfile também homenageou todas as mulheres e homens que aprenderam a costurar em suas raízes familiares.
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