O Bloco A Vida Presta divulgou um manifesto público em resposta às declarações da vereadora de Itajaí Liliane Fontenele (PL), feitas em plenário da Câmara, nas quais a parlamentar criticou o feminismo e ações de defesa de mulheres, incluindo iniciativas relacionadas ao enfrentamento do feminicídio. O documento transforma o episódio em um novo capítulo do debate político local sobre violência de gênero, direitos das mulheres e responsabilidade institucional.
O texto afirma que movimentos de defesa das mulheres não surgem de ideologia ou disputa partidária, mas da realidade concreta de mulheres que vivem sob ameaça de violência dentro de casa e nas relações pessoais. O manifesto critica o que chama de tentativa de deslegitimar a luta contra o feminicídio e afirma que tratar o tema como disputa ideológica é ignorar um problema social grave e persistente.
O documento também reforça que direitos considerados básicos hoje — como votar, estudar, trabalhar, administrar a própria renda e ocupar cargos públicos — foram conquistados ao longo de décadas de mobilização social e não pertencem a partidos ou correntes ideológicas, mas à história das mulheres.
Outro ponto central do manifesto é a defesa de uma transformação cultural como caminho para reduzir a violência de gênero. O texto aponta a educação de meninos e adolescentes, a presença familiar e a construção de relações baseadas em respeito como fatores fundamentais para enfrentar a violência estrutural contra mulheres.
Além da resposta política, o manifesto também amplia o debate para temas estruturais, como o impacto da escala de trabalho 6x1 na convivência familiar e a necessidade de abertura de um terceiro Conselho Tutelar em Itajaí, apontando que a proteção de mulheres, crianças e adolescentes depende de políticas públicas e de uma rede de proteção mais estruturada.
O documento afirma ainda que o debate público não pode relativizar a violência e que a defesa da vida, da dignidade e da segurança de mulheres, crianças e idosos deve estar acima de disputas ideológicas, eleitorais ou partidárias, classificando o tema como uma responsabilidade coletiva de toda a sociedade.
A vereadora Liliane Fontenele (PL) ficou conhecida como “Dra. Pix” após os atos antidemocráticos de janeiro de 2023, em Brasília, por ter arrecadado recursos via transferências eletrônicas para custear despesas de viagem de participantes que se deslocaram até a capital federal, para o atentado contra os poderes constituídos.

Comentários: