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Colunas/Saúde

Chegada da Primavera exige atenção com alergias respiratórias e alerta para riscos do uso de descongestionantes

A sensibilidade ao pólen desencadeia sintomas incômodos que afetam diretamente o bem-estar e a rotina diária de muitas pessoas

Chegada da Primavera exige atenção com alergias respiratórias e alerta para riscos do uso de descongestionantes
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Com a chegada da Primavera, a renovação da vegetação traz consigo a  circulação de pólen na atmosfera, um cenário que desperta o alerta para o aumento das alergias respiratórias na população. Embora os impactos da polinização sejam mais severos e evidentes em países localizados no Hemisfério Norte, no Brasil a estação das flores também registra um aumento expressivo de crises alérgicas. Por aqui, a sensibilidade ao pólen desencadeia sintomas incômodos que afetam diretamente o bem-estar e a rotina diária de muitas pessoas.

Na Região Sul, as particularidades do clima local impõem um desafio adicional aos cuidados com a saúde do aparelho respiratório. As bruscas variações de temperatura, que frequentemente ocorrem em um intervalo de poucas horas no mesmo dia, atuam como um gatilho para o surgimento da rinite vasomotora. Esse quadro clínico é provocado pela reação dos vasos sanguíneos da mucosa nasal às mudanças térmicas e de umidade do ar, resultando em sintomas persistentes como obstrução nasal, crises sucessivas de espirros e coriza clara.

A partir da grande incidência de doenças respiratórias neste período do ano, torna-se essencial saber diferenciar os quadros para evitar diagnósticos equivocados e tratamentos inadequados. 

Enquanto a rinite alérgica se manifesta principalmente com coriza fluida constante, espirros em salva e intensa coceira no nariz, o resfriado comum costuma dar seus primeiros sinais por meio de uma sensação caracterizada por ardor ou garganta "arranhando" na região posterior do nariz.

"Já a gripe apresenta um quadro bem mais abrangente e debilitante, que inclui sintomas sistêmicos como dores generalizadas pelo corpo, febre, mal-estar acentuado e obstrução nasal severa", conforme explica o Dr. Marcio Freitas, médico otorrinolaringologista. 

Perigos da automedicação e dos descongestionantes nasais - Diante do incômodo provocado pelo entupimento do nariz, a busca por alívio imediato leva muitas pessoas à automedicação, prática que esconde sérios perigos para a saúde. Mas o uso indiscriminado de descongestionantes nasais em gotas ou spray é uma das maiores preocupações dos médicos durante a Primavera.

"Utilizar descongestionantes nasais não é uma boa ideia porque ele apenas desobstrui o nariz por um curto período de tempo, durando poucas horas. Logo em seguida, o efeito passa e a obstrução volta muito mais forte do que antes, em um efeito rebote. Isso acaba gerando um ciclo de dependência, que culmina no desenvolvimento da rinite medicamentosa. É importante destacar que o uso contínuo desses medicamentos por apenas cinco dias já é suficiente para criar um vício no paciente, exigindo depois um tratamento específico e gradativo para conseguir descontinuar o produto com segurança", informa o Dr. Marcio Freitas. 

Prevenção no ambiente e a importância do diagnóstico correto - Para além dos cuidados medicamentosos, o controle das crises de alergia passa por ajustes práticos na rotina do lar e do ambiente de trabalho. A higienização correta dos espaços é uma das estratégias mais eficientes para reduzir a exposição aos agentes alergênicos presentes no ar. 

A orientação médica é dar preferência ao uso de panos úmidos para a remoção da poeira, evitando o ato de varrer com vassouras convencionais. O uso de aspiradores de pó comuns também deve ser evitado, pois eles tendem a dispersar os ácaros de volta ao ambiente; a escolha ideal são aparelhos equipados com filtro HEPA. E, no ambiente doméstico, principalmente nos quartos, recomenda-se eliminar o acúmulo de tapetes, cortinas de tecido e objetos que retenham poeira, além de utilizar desumidificadores de ar em cômodos mais suscetíveis à umidade e ao surgimento de mofo.

Entretanto, quando as medidas de higiene e os cuidados básicos não são suficientes para cessar os incômodos, a consulta com um profissional torna-se indispensável para a recuperação da qualidade de vida. 

"A avaliação médica realizada por um otorrinolaringologista é fundamental porque vai guiar o tratamento de maneira correta e individualizada. Em muitos casos, o paciente acredita sofrer apenas de uma alergia sazonal, mas apresenta também alterações estruturais, como um desvio de septo nasal, uma sinusite crônica instalada ou até mesmo a combinação de ambas as condições com a rinite", comenta o especialista em otorrinolaringologia. 

Neste contexto, tentar resolver o problema com tratamentos genéricos ou remédios caseiros costuma trazer mais complicações do que soluções. Pessoas que sofrem com obstrução nasal frequente, dores de cabeça recorrentes, roncos noturnos ou que têm o hábito de dormir com a boca aberta devem agendar uma consulta para obter o diagnóstico exato e tratar a causa raiz do problema. 

Chegada da Primavera exige atenção com alergias respiratórias
Chegada da Primavera exige atenção com alergias respiratórias

Sobre o Dr. Marcio Freitas - O Dr. Marcio Freitas é médico otorrinolaringologista, com 26 anos de formação pela Santa Casa de São Paulo, onde também realizou residência médica. Atua há mais de 23 anos em Jaraguá do Sul, com sólida experiência clínica e cirúrgica. É especialista em distúrbios respiratórios e do sono, apneia do sono, cirurgias nasais funcionais e estéticas, cirurgia plástica da face, rinoplastia, blefaroplastia, otoplastia e lifting facial. Possui especialização em Cirurgia Plástica da Face pela Universidade de Miami, no Jackson Memorial Hospital. Também é professor assistente na Harvard University, unindo prática médica de excelência, atualização constante e atuação acadêmica internacional. Saiba mais em @‌clinica.drmarciofreitas e https://drmarciofreitas.com.br.

FONTE/CRÉDITOS: Debora Volpi/Entrelinhas Comunicação

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