Com as recentes e preocupantes notícias sobre o retorno do El Niño, fenômeno climático de grande abrangência e impacto, a população tende a se dividir, de certa forma, em quatro grupos fundamentais: os desesperados, os vulneráveis, os contemporizadores e os resolvedores.
Diante das possíveis ocorrências, será indispensável preservar a sobriedade — mesmo na dor — para não perder o senso, a lucidez, a linha tênue que distingue aqueles que conseguem raciocinar em meio ao caos.
As adversidades também funcionam como espelho. Revelam caráter, prioridades e maturidade. Mostram quem perde a capacidade de pensar, quem mantém a calma e quem transforma preocupação em providência.
Quando os ventos se intensificam e as águas sobem, a realidade não mede sentimentos; mede atitudes. Entre o medo e a negação, talvez o melhor caminho continue sendo o da ponderação. Sem acomodação ou passividade, contemporizar significa compreender a situação, conservar a razão e agir com inteligência.
Os desesperados gastarão energia antecipando tragédias, ampliando medos e multiplicando inquietações. Sofrerão pelos problemas reais e também pelos imaginários, construídos pela ansiedade e pela sensação de impotência. Experimentarão um sofrimento em dobro e, não raras vezes, aumentarão a carga emocional dos demais.
Os vulneráveis, por sua vez, merecem atenção especial. Para eles, a solidariedade, antes de ser virtude, já será necessidade.
Os resolvedores, mesmo limitados diante dos ditames da natureza, buscarão fazer o que estiver ao seu alcance, onde for material e humanamente possível. Sabem que não podem tudo, mas também sabem que podem fazer algo — e certamente o farão.
Já os contemporizadores compreenderão que determinadas situações exigem prudência, observação e equilíbrio. Reconhecerão os riscos sem se deixar dominar por eles. Farão o possível para preveni-los, enfrentá-los e adaptar-se às circunstâncias, preservando a serenidade necessária para tomar decisões acertadas. Também serão, portanto, resolvedores — embora de maneira diferente.
Se o Estado de Santa Catarina situa-se na área ameaçada, também é um dos mais organizados e estruturados do país. População e poder público hão de unir forças, impulsionados por um genuíno espírito de cooperação.
Tempos difíceis revelam comportamentos. A serenidade evita o desatino e conduz à atitude, que, nesta seara, é a mais valiosa das reações.
Que Deus nos guarde, nos proteja e nos permita externar o melhor que há em cada um de nós.
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