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Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

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MINHA COPA, MINHA TAÇA.

Por Jaime Telles

MINHA COPA, MINHA TAÇA.
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Mais um dia de compromissos, ocupações, tomada de decisões etc. Quando sobra tempo vai bem uma partida de esporte com amigos. Aprecio o encontro, o desporto, a movimentação física que reflete em bem estar e revigora a musculatura, as articulações, etc.

O placar importa menos e nem será assunto predominante. Importa sim aquilo tudo que se dá em campo, a energia, os lampejos decisórios ao atacar ou defender. Tudo se resume em movimentos mágicos, onde o blefe naturalmente faz parte. Seja vôlei, basquete, handebol ou até mesmo futebol, entre outras modalidades.

Ao soar o apito final, a roupa suada será lavada e esperará dobrada em alguma gaveta até o próximo convite, porque a vida segue com seus altos e baixos, onde quando  precisamos driblas dificuldades, dar assistência, planejar jogadas, impedir o avanço de adversários, fazer grandes defesas e, sempre que possível alterar favoravelmente o placar.

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Na cabeça permanecem ricas lembranças do jogo entre amigos e não vemos a hora de repetir aquilo, onde, apesar das semelhanças a experiência é sempre renovada. Nada se compara ao sorriso e as típicas saudações ao chegar e ao sair.

Poucas pessoas bastam, desde que se formem duas equipes, nem sempre com número regulamentar, nem camisa de cor uniforme. Um tênis surrado para também gostar da brincadeira, sem árbitros, nem técnico. Se há lesão, um colega se encarregada e acudir, por vezes, um adversário, porque o que realmente está em jogo e o desporto e a amizade.

Que pena! Transformaram isso num mega negócio, onde a rivalidade devora o bom-senso e fala mais alto o senso de disputa, não mais pelo que aponta o placar, mas por algo sem sentido, aguçado por instintos primitivos, com apego a marcas intangíveis e inalcançáveis, embora pese algum emblema ao peito. A difusão de cores ganha simbolismo identitário e deixa de importar que vem veste diferente. Lá se vão amizades, conversas amenas, antigos convívios e até parentescos. Alambrados tombam, sangue jorra, mães choram sem entender em que se tornaram a primeira bola e a primeira camisa como presente de aniversário na primeira infância.

De outro lado, alguma habilidade notável já diferencia a criança e instiga a família a vivenciar antecipadamente um sonho, bordado de elogios empolgados elogios, como quem está a um passo de dinheiro e fama, ficando de fora a verdadeira formação com zelo familiar que se complementa nos bancos escolares.

Como em gigantesca pirâmide, vemos brilhar no topo poucos nomes, enquanto desmoronam do alto à base milhões de projetos incompletos, sonhos desfeitos, funções coadjuvantes e outras tantas decepções, daqueles que foram levados a se entorpecer pela vaidade e pelo orgulho. Mas dramático ainda é saber que a base da pirâmide é sustentada pelos pequeninos, que sequer sabem o que querem, induzidos por incautos adultos que fazem parte da legião dos que subiram alguns degraus e delegam à geração seguinte a discordância de ver-se vencido.  

Brava gente brasileira que derrama suor em causa alheia. Incapaz de perceber a indução que a move como minúscula peça da grande engrenagem que, na outra ponta jorra riquezas que jamais terá. Não compreende a manipulação. Tragicamente se traja da cabeça aos pés, confundindo com nacionalismo e sentimento de pertença. Compra até vuvuzela para se fazer notar em meio a um alarido ensurdecedor, onde o turbilhão de gritos empana a verdadeiramente voz humana, pois ali já cabem palavras. Apenas algum zunido a demostrar um mergulho involuntário no oceano do apedeutismo que iguala para esmagar e sorver o caldo, que nada mais é, do que as mentes convencidas de que sobre aquilo lavagem cerebral, precisam comprar, presentear, defender, brigar, amar, retrucar, além de colocar em suas rotinas como assunto indispensável, que na verdade jamais foi.

Ao pensar sobre esta triste realidade, resta dirigir-me à minha copa, apanhar uma taça e saborear moderada dose de um bom vinho.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles
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