O transbordo da “lagoinha” enseja perguntas incômodas e derrama dúvidas em todo entorno.
No templo que você frequenta, quem confere o montante das ofertas recolhidas a cada celebração? Quem registra, audita, presta contas?
As moedas caem discretas, as cédulas somam-se em silêncio, e as “doações voluntárias” — muitas vezes vultosas — atravessam o altar sem qualquer escrutínio público. E todos dizem amém.
Muito além de moeda em moeda, o povo alimenta algo que raramente vê por dentro.
É cada vez maior o número de líderes que ostentam patrimônio elevado — mansões, carros de luxo, até aeronaves — enquanto ampliam influência por meio de emissoras, rádios e redes sociais. Os mesmos que preparam uma cara triste para pedir dinheiro e vender ilusões, contrariando e usurpando verdadeiros ensinamentos.
A próxima campanha será para custear o quê? Outra obra?
Imagina… Em nome de Deus, o povo não se nega.
Ora, ora! Não se trata de fé. Trata-se de dinheiro.
De vez em quando surge uma dúvida sobre o destino dos valores. Mas a questão pode ser ainda mais delicada: a origem. Depois de misturado, já não há como separar.
E num cenário em que o dinheiro em espécie desaparece, como ficam essas movimentações pelos meios bancários?
Há quanto tempo isso ocorre?
No palco moderno, surgem exóticas figuras midiáticas, discursos fáceis e espetáculos bem ensaiados. A esquisitice chama a atenção, vende bem e multiplicam seguidores, curtidas, doações — e a sensação de pertencimento. Ah, como arrecadam.
Quantos milhões passam por mãos invisíveis?
Quantos sabem, de fato, para onde vai — e de onde vem.
A fé move montanhas. Mas também pode sustentar estruturas opacas de quem não dá a mínima para fé. Aliás não dá nada. Só recebe. Além das mãos sofridas dos fiéis, sabe Deus de quem mais recebe e em troca de quê.
Quando uma estrutura cresce sem transparência, deixa de ser apenas espiritual — passa a ser um problema público. Em um país onde o contribuinte é vigiado até o centavo, há espaços onde cifras circulam sem a mesma luz. Cruel, né? Duvidar de quem?
Resta saber: há disposição para enfrentar esse debate? Por enquanto continuam intocáveis os que manipulam fé, dinheiro e poder.
Sinceramente: em qual denominação religiosa você pensou agora?
Haja fé.
Comentários: