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Terça-feira, 12 de Maio de 2026

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OFERTAS, FÉ E SILÊNCIO

Por Jaime Telles

OFERTAS, FÉ E SILÊNCIO
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O transbordo da “lagoinha” enseja perguntas incômodas e derrama dúvidas em todo entorno.

No templo que você frequenta, quem confere o montante das ofertas recolhidas a cada celebração? Quem registra, audita, presta contas?

As moedas caem discretas, as cédulas somam-se em silêncio, e as “doações voluntárias” — muitas vezes vultosas — atravessam o altar sem qualquer escrutínio público. E todos dizem amém.

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Muito além de moeda em moeda, o povo alimenta algo que raramente vê por dentro.

É cada vez maior o número de líderes que ostentam patrimônio elevado — mansões, carros de luxo, até aeronaves — enquanto ampliam influência por meio de emissoras, rádios e redes sociais. Os mesmos que preparam uma cara triste para pedir dinheiro e vender ilusões, contrariando e usurpando verdadeiros ensinamentos.

A próxima campanha será para custear o quê? Outra obra?
Imagina… Em nome de Deus, o povo não se nega.

Ora, ora! Não se trata de fé. Trata-se de dinheiro.

De vez em quando surge uma dúvida sobre o destino dos valores. Mas a questão pode ser ainda mais delicada: a origem. Depois de misturado, já não há como separar.

E num cenário em que o dinheiro em espécie desaparece, como ficam essas movimentações pelos meios bancários?

Há quanto tempo isso ocorre?

No palco moderno, surgem exóticas figuras midiáticas, discursos fáceis e espetáculos bem ensaiados. A esquisitice chama a atenção, vende bem e multiplicam seguidores, curtidas, doações — e a sensação de pertencimento. Ah, como arrecadam.

Quantos milhões passam por mãos invisíveis?
Quantos sabem, de fato, para onde vai — e de onde vem.

A fé move montanhas. Mas também pode sustentar estruturas opacas de quem não dá a mínima para fé. Aliás não dá nada. Só recebe. Além das mãos sofridas dos fiéis, sabe Deus de quem mais recebe e em troca de quê. 

Quando uma estrutura cresce sem transparência, deixa de ser apenas espiritual — passa a ser um problema público. Em um país onde o contribuinte é vigiado até o centavo, há espaços onde cifras circulam sem a mesma luz. Cruel, né? Duvidar de quem?

Resta saber: há disposição para enfrentar esse debate? Por enquanto continuam intocáveis os que manipulam fé, dinheiro e poder.

Sinceramente: em qual denominação religiosa você pensou agora?

Haja fé.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles
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