Algumas perguntas parecem invadir o lugar de outras que, historicamente, sempre nos acompanharam. É como se algo ou alguém pretendesse controlar escolhas que deveriam pertencer ao nosso livre-arbítrio. Desde as primeiras atividades do dia, somos impelidos a fazer coisas muito semelhantes às que fazem outras pessoas. Com o advento da internet, especialmente das redes sociais, essa influência foi longe demais. É sempre válido conferir notícias, arte, esporte ou gracejos com ilimitada criatividade de quem aprendeu a produzir aquilo que ousam chamar de conteúdo, por mais vazio que seja. Basta tocar a tela para mergulharmos em um emaranhado de postagens desimportantes, que ocupam espaço demais em nossas vidas. Com vez e voz, um vasto universo de pessoas aprendeu a lidar com a máquina que lhes confere a sensação de empoderamento. Então, postam. E como postam!
Mas existe outro lado.
Há quem pareça viver muito bem sem essa necessidade. Pouco ou nada posta, porque não sente necessidade de informar sem motivo plausível.
A diferença fundamental é que essas pessoas sabem sair. Enquanto muita gente parece precisar de testemunhas para tudo que faz. A experiência perde essência e passa a depender da opinião alheia. O drama se torna maior quando a ausência de publicação produz uma espécie de vazio.
Importa saber que, se por um lado há conteúdos dos mais variados matizes, por outro há plateias com diferentes formas de entendimento. Neste cenário de incontáveis palpites, a ignorância predomina com larga vantagem, ofuscando conteúdos relevantes e informações necessárias. Já não é mais só questão de publicar ou não publicar. É saber se convém ou não publicar.
Talvez a verdadeira liberdade esteja justamente em, de forma natural e consciente, dosar nosso tempo e nossas escolhas, substituindo a ilusória necessidade de validação pelo exercício de cogitar, conjecturar, ponderar, filtrar e validar aquilo que realmente importa.
A futilidade sempre pegará atalhos que jamais interessarão aos grandes pensadores. Ou nossa vã filosofia jamais teria experimentado a incômoda e absolutamente necessária reflexão mestra de Hamlet, a mais famosa e influente peça de William Shakespeare.
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