O projeto que pretende reconhecer o Carnaval de Balneário Camboriú como Patrimônio Cultural e Turístico de Natureza Imaterial do município avançou mais uma etapa na Câmara de Vereadores. A proposta foi debatida em reunião pública na noite de segunda-feira (10), sem manifestações contrárias, e agora segue para ser pautada em sessão e votada pelos vereadores.
O Projeto de Lei Ordinária 112/2026, de autoria dos vereadores Ciça Müller (PDT) e Samir Dawud (Cidadania), também prevê a inclusão da festa no Calendário Oficial de Datas e Eventos de Balneário Camboriú, reconhecendo especialmente os tradicionais desfiles de blocos e agremiações.
Para quem constrói o Carnaval da cidade, a oficialização representa mais do que a inclusão de uma festa no calendário: significa reconhecer uma manifestação cultural que atravessa gerações e garantir condições para que os blocos continuem colocando seus desfiles na rua, independentemente de mudanças de governo.
Carnaval em BC começou antes mesmo da emancipação - Durante a reunião pública, o presidente da Liga Carnavalesca de Balneário Camboriú e responsável pelo Inimigos da Segunda, Victor Alves, destacou que a história do Carnaval local antecede inclusive a emancipação político-administrativa do município, ocorrida em 1964.
Segundo ele, documentos preservados pelo Arquivo Histórico registram bailes de Carnaval ainda em 1895, demonstrando que a tradição carnavalesca já estava presente na comunidade muito tempo antes de Balneário Camboriú se tornar oficialmente uma cidade.
Ao longo das décadas, diferentes escolas, blocos e agremiações ajudaram a escrever essa história. Entre elas estão Unidos dos Pioneiros, uma das importantes representações do Carnaval local em meados do século passado, Escola Integração e Império do Município.
Outro capítulo fundamental começou em 1989, com a fundação do Mexe-Mexe, hoje considerado o bloco carnavalesco mais antigo ainda em atividade na cidade. A partir dele surgiram também nomes e movimentos que permaneceram ligados à festa, como Xinellis e DJ Folia.
A história mais recente ganhou força especialmente a partir de 2008, período marcado pela aproximação das agremiações com o poder público e pelo fortalecimento dos desfiles. O Inimigos da Segunda também se consolidou neste processo e se tornou o principal bloco da cidade, levando milhares de foliões para a Avenida Atlântica.
A organização dos grupos avançou ainda mais em 2013, com a fundação da Liga Carnavalesca de Balneário Camboriú. Ao longo dos anos, a festa passou por diferentes momentos e denominações, como Cambufolia e Carnamboriú, até chegar ao formato atual do Carnaval de Balneário Camboriú.
A Liga Carnavalesca ressaltou ainda que não existe oposição à realização de shows nacionais durante o Carnaval. A defesa é para que as atrações possam coexistir com os blocos e com as manifestações construídas pela própria comunidade ao longo das décadas.
Além da importância cultural, o Carnaval também possui impacto econômico. Segundo Victor, somente o Inimigos da Segunda movimenta aproximadamente R$ 500 mil em torno de sua realização. O reflexo, porém, vai além da estrutura dos blocos, alcançando setores como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte e serviços.
A avaliação da Liga é de que o Carnaval já representa um produto turístico rentável para Balneário Camboriú, mas possui potencial para crescer ainda mais a partir de planejamento e da garantia de sua continuidade.
“Nosso Carnaval tem história” - Durante a reunião, a vereadora Ciça Müller destacou que reconhecer a festa oficialmente é também reconhecer uma manifestação que já pertence à cultura da cidade. Ela ressaltou ainda uma característica dos desfiles de Balneário Camboriú: a participação não fica restrita aos foliões que compram abadás e acompanham os blocos dentro das áreas organizadas.
Famílias e moradores tradicionalmente acompanham a passagem dos blocos da calçada, transformando a Avenida Atlântica em um espaço coletivo durante os dias de festa. Para Ciça, essa característica representa uma democratização do Carnaval, já que tanto quem desfila dentro do bloco quanto quem simplesmente vai à avenida consegue participar da celebração.
A estrutura com gradis e organização dos desfiles também foi citada como elemento que permite realizar a festa com segurança.
Carnaval para além da Avenida Atlântica -A discussão também apontou a ampliação da presença do Carnaval em diferentes regiões de Balneário Camboriú, algo que já vem acontecendo em parceria com a prefeitura e desfiles pelos bairros, levando a essência da festa para além da região central, além da realização de programações e palcos alternativos em pontos como a Barra, Estaleiro e Praia Central.
A intenção é fortalecer tanto os grandes desfiles quanto manifestações menores e comunitárias, recuperando justamente uma característica presente na própria origem do Carnaval da cidade.
O projeto prevê que os desfiles ocorram preferencialmente entre o sábado e a segunda-feira de Carnaval e mantém como trecho tradicional a Avenida Atlântica, entre a Rua 2.000 e a Praça Almirante Tamandaré. Também estabelece possibilidades de financiamento por meio de patrocínios, parcerias com a iniciativa privada, orçamento municipal e mecanismos de incentivo à cultura.
Depois da reunião pública de segunda-feira, realizada sem manifestações contrárias à proposta, o projeto segue sua tramitação no Legislativo e deverá ser incluído em breve na pauta para discussão e votação dos vereadores.
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