Para cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil, comer uma simples pizza, pode ser um grande problema, principalmente, se ela for celíaca. Segundo o médico gastroenterologista, Jose Cyro de Moura Gomides, essa é uma doença crônica, autoimune e, até o momento, incurável.
É importante destacar que, ela é deflagrada e mantida pela ingestão do glúten, que está presente no trigo, cevada, aveia e centeio, mas os celíacos têm que ser geneticamente predispostos.
"A doença celíaca apresenta características clínicas variáveis, de formas sintomáticas, com o quadro clínico florido ou até pacientes de formas assintomáticas, que não sentem absolutamente nada. Ela tem uma prevalência global, e estima-se que 1% da população mundial apresente a doença . O aumento da incidência atual, deve-se a grande ingestão de alimentos com Glúten , maior disponibilidade dos testes sorológicos e a facilidade de biópsia por meio de endoscopia digestiva", explica o médico, membro da Associação Brusquense de Medicina - ABM, e ainda titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia, membro Internacional da Associação Americana de Gastroenterologia e do Instituto Brasileiro para Estudos da Doença Celíaca - IBREDOC.
Ainda de acordo com o médico, o desenvolvimento desta doença acontece, normalmente, em crianças abaixo de dois anos de idade com a ingestão precoce de glúten, pois quando elas desmamam, já se introduz o glúten, e depois na segunda ou terceira décadas, aos 20 e 30 anos.
Os idosos também representam um número importante, sendo 27% dos diagnósticos. A doença é mais prevalente nas mulheres, na faixa de três mulheres para cada homem. Porém, há uma prevalência mais alta em familiares de primeiro grau de celíacos e alguns grupos familiares têm um risco aumentado, tais como diabetes mellitus tipo 1 (que são insulino-dependentes), pacientes com anemia, com osteoporose, problemas de tireóide e fadiga crônica. Há ainda, três fatores para deflagrar essa doença, sendo o fator genético, fatores ambientais com a ingestão de glúten, e uma resposta imunológica própria de cada indivíduo.

CAUSAS - Conforme explica o gastroenterologista, o quadro clínico é bastante variável, principalmente, entre algumas as faixas etárias. Nas crianças, por exemplo, geralmente aparecem com diminuição do apetite, dor abdominal, vômitos, diarreia, constipação, cansaço e irritabilidade, bem como atraso no desenvolvimento. Nos adultos jovens, apresentam-se com anemia, mudanças de humor, distensão, gases, distúrbios menstruais, infertilidade, diminuição do peso, depressão, puberdade atrasada, dor de cabeça e dormência de extremidades.
"Além disso, esse quadro clínico, pode estar relacionado com estomatite aftosa, ou seja, aftas de repetição, dermatite por herpes, osteoporose e relacionado com a tiroidite de Hashimoto, diabetes tipo 1 e até outras alterações dermatológicas como vitiligo, alopecia (que é queda de cabelo) e psoriase", acrescenta o médico.
DIAGNÓSTICO - O diagnóstico da doença celíaca baseia-se em um tripé: primeiro, o quadro clínico, onde é feita uma anamnese detalhada, coletados sinais e sintomas típicos da doença e um exame clínico cuidadoso, que evolui para uma triagem sorológica. Às vezes, mesmo com sorologias negativas, porém com um quadro clínico exuberante, é indicada a endoscopia digestiva alta, que seria a terceira fase, onde são realizadas biópsias do duodeno e enviado para análise de Histopatológico em laboratórios de apoio, onde o diagnóstico tende a ser confirmado. Ainda, como é uma doença genética, podem ser solicitados os marcadores genéticos.
TRATAMENTO - O tratamento da doença celíaca consiste em uma dieta totalmente sem glúten, para sempre e para todos, independente da forma de apresentação da doença. Esse tratamento, visa eliminar as alterações que vão acontecer no intestino, facilita, futuramente, a absorção dos nutrientes, normaliza o trânsito intestinal, recupera o estado nutricional do paciente e previne complicações, algumas com potencial muito grave.
"Ele melhora as condições de vida dos nossos pacientes. Uma coisa importante para se frisar é que não se pode iniciar um tratamento de doença celíaca com a isenção do glúten, sem a investigação prévia . Jamais se inicia a dieta isenta de glúten sem uma investigação laboratorial e Histopatológica", conclui o médico Jose Cyro de Moura Gomides.

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