Abril fecha a janela na “sexta-feira maior”.
Nesta quaresma, a palavra conversão ganha outro sentido. Os políticos correm a maratona da Semana Santa, rezando para convencer as partes.
A pressa tem motivo. E não é paixão. No sistema proporcional, o mandato pertence ao partido e não ao candidato. Se fizer errado, na certa amarga de vez o chocolate. Cada movimento precisa ser calculado. Mas quantos sabem fazer isso?
O eleitor olha a janela de fora para dentro. E o que vê nem sempre é escolha ampla. Decide entre os nomes que os partidos colocam ali. Goste ou não, o jogo já vem montado. Vai na fé.
A troca de partido pode até parecer estratégica. Mas nem sempre é. Em pouco tempo as diferenças farão diferença. Logo escancaram o oportunismo ou desespero, sem mistério.
É nessa hora que se mede coerência. Os valores continuam ou mudam por conveniência? Passa longe de libertação e mais ainda da salvação prometida.
De joelhos diante do confessionário, negam a própria origem.
"Coincidência: É momento de Pessach, o termo hebraico para travessia. É quando a janela abre espaço e algo mais. Separa quem tem lado de quem apenas se reposiciona. Separa quem sustenta discurso de quem troca para se sustentar. Ela distingue o estrategista do sonhador. O excesso de mistura sanguínea logo se mostrará tal e qual água e óleo. A seu tempo, ambos buscarão mostrar supremacia em mesas separadas, como antes.
Quem vive de movimento sem consistência e nem lidera a própria agremiação, passa o período eleitoral tentando provar muitas coisas. E aí, a desconfiança vira certeza.
Santa Ceia ou pança cheia?
Não adianta lavar os pés de alguém e jurar humildade e purificação, nem marcar suas portas com sangue de outra sigla.
E, nesse cenário, o olhar atento do eleitor faz a diferença. É ele quem separa quem produz de quem apenas ocupa espaço.
A janela fecha. O certo é certo. E o duvidoso é sempre risco.
No domingo pode-se ter um cardápio ambrosíaco ou indigesto à base de pão ázimo e ervas acres.
No Brasil a páscoa ganha sentido de libertação do centrão que, de cima do muro sonha com segundo turno, só observando para qual lado soprará o vento. Em Santa Catarina, idem.
Quem trabalha, entrega resultado e sabe articular e se fortalece. Consolida alianças, amplia espaço e chega competitivo.
Estejamos atentos para que esta “passagem” possa representar a vitória do trabalho sobre a morte do devaneio eleitoral de última hora e sem levedura.
Aliança e memória coerentes abrem caminho para a grande festa multicor de aleluia.
Feliz Páscoa.
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