A democratização do acesso à saúde pública, os novos avanços da ciência e o impacto socioeconômico da regulamentação foram os grandes destaques dos painéis de abertura do 1º Seminário Catarinense de Cannabis Medicinal, realizado nesta quinta e sexta-feira em Balneário Camboriú. O encontro, com entrada gratuita e apoio da Fiocruz, reúne médicos, juristas e pesquisadores para discutir o futuro do uso terapêutico da cannabis no Brasil.
A abertura do evento, na noite de quinta-feira (25), foi marcada por um anúncio pioneiro. A secretária de Saúde de Balneário Camboriú, Aline Leal, confirmou que o município será o primeiro da região a fornecer cannabis medicinal pelo SUS. A ação está prevista já para o segundo semestre deste ano e terá como foco inicial pacientes de 5 a 18 anos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) suporte 3.
Idealizador e organizador do seminário, o vereador Eduardo Zanatta destacou que a pauta superou barreiras burocráticas e partidárias para focar na qualidade de vida dos pacientes. "Não falamos apenas de técnica, mas de saúde e acolhimento. Garantir o acesso pelo SUS e unir a ciência à responsabilidade, com parcerias de peso como Fiocruz e Univali, é o que de fato transforma a vida das famílias", afirmou.
Durante o evento, o coordenador de Promoção da Saúde da Fiocruz, Valber da Silva Frutuoso, explicou que a cannabis possui grande capacidade para impulsionar a inovação e o desenvolvimento tecnológico nacional.
Judicialização, mercado e mudança cultural - O segundo dia de evento começou debatendo o cenário regulatório e jurídico do país. A CEO da ExpoCannabis Brasil, Larissa Uchida, apresentou que o país já movimenta cerca de R$ 1 bilhão anuais e soma quase 1 milhão de pacientes. Além disso, apontou a necessidade de leis definitivas, visto que a regulação atual se baseia apenas em resoluções administrativas da Anvisa (RDCs) e não em leis definitivas.
No encerramento do primeiro painel, o médico da atenção primária do SUS, Dr. Juarez Verba, abordou a dimensão social do acesso ao tratamento. Ele avaliou que o modelo atual, focado estritamente na medicalização, restringe a chegada dos produtos aos mais vulneráveis, e citou as associações e a agricultura familiar como alternativas viáveis para ampliar o acesso no Brasil.

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