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Quarta-feira, 27 de Maio de 2026

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ALGORITMOS OU ALGOZES?

Por Jaime Telles

ALGORITMOS OU ALGOZES?
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Na era da inteligência artificial, precisamos estar atentos à possibilidade de erosão da autoridade que mais nos dignifica e identifica. A tecnologia não pode — nem deve — substituir o pensamento, a sensibilidade e a responsabilidade que conferem essência à condição humana.

Sem alarmismo, afirmo que é necessário e urgente discutir os impactos dessa nova realidade sobre a educação, o rádio, o jornalismo, a arte, a política e as relações humanas.

Temos o direito — e talvez até o dever — de expandir o conhecimento e criar ferramentas inteligentes para melhorar a vida, como fazemos desde a descoberta do fogo e a invenção da roda. Sempre buscamos encurtar distâncias, acelerar resultados, conquistar espaços e ampliar possibilidades.

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Mas há um limite delicado que precisa ser observado: a mesma inteligência que cria máquinas capazes de aprender não pode entregar a elas o controle da consciência humana. Esta talvez seja uma das missões mais duras e necessárias do nosso tempo.

É evidente que nos encantamos com as novidades tecnológicas. Elas oferecem atalhos extraordinários para a produtividade, para a ciência e para inúmeras atividades do cotidiano. Entretanto, em tudo deve permanecer o sentido humano — algo que máquina alguma conseguirá reproduzir por si mesma.

As ferramentas que simulam sensibilidade apenas executam sensibilidades programadas, moldadas para determinados interesses, quase sempre definidos por outros seres humanos. E justamente aí reside parte do perigo.

A mente humana, embora tenha alcançado impressionante evolução material, talvez ainda não avançado tanto quanto à sua evolução moral — ou espiritual, se preferirmos assim definir.

Na Primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo advertiu: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém.” Trata-se de uma das mais profundas reflexões sobre liberdade, responsabilidade, ética e autocontrole.

Somos livres para fazer quase tudo. Mas nem todas as escolhas nos elevam, nos fortalecem ou nos conduzem a um bom destino.

Quanto maior o poder, maior deve ser a responsabilidade moral. As consequências falam por si. Se observarmos atentamente, perceberemos que grande parte das mazelas da humanidade nasceu justamente de mentes brilhantes rendidas à ganância, à vaidade e ao orgulho.

Muito do que ameaça o mundo hoje — desigualdade social, ausência de empatia, destruição ambiental, crises hídricas, conflitos armados e até manipulações coletivas — não surgiu da ignorância absoluta, mas da inteligência dissociada da consciência.

A inteligência artificial, afinal, nada mais é do que um gigantesco compêndio de informações humanas cruzando ramais tecnológicos e alimentando algoritmos cada vez mais sofisticados.

Por trás de cada dado, de cada resposta e de cada comando, existe a marca de seres humanos ainda imperfeitos, contraditórios e em permanente processo de evolução.

Talvez o verdadeiro desafio do futuro não seja construir máquinas mais inteligentes.

Talvez seja impedir que os seres humanos se tornem moralmente menores diante delas.

FONTE/CRÉDITOS: Por Jaime Telles
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