Nem toda crise convulsiva está ligada à epilepsia. Esse tema tem sido debatido nas redes sociais após os recentes episódios de convulsão envolvendo o ator Henri Castelli, durante sua participação no Big Brother Brasil 26, e o zagueiro Alexandre, do Sampaio Corrêa, que caiu no gramado em partida contra o Flamengo pelo Campeonato Carioca.
No caso do jogador, a causa exata não foi divulgada oficialmente, mas o clube informou que não houve identificação de lesões cardíacas ou neurológicas. Já em relação ao ator, o neurologista responsável pelo seu atendimento, Bruno Castelo Branco, detalhou o quadro em entrevista ao programa Fantástico.
"Ele teve uma crise convulsiva, uma descarga elétrica muito forte no cérebro, que praticamente desliga o cérebro momentaneamente. Normalmente a pessoa tem como se fosse um desmaio, ela cai e começa a ter espasmos musculares", afirmou o médico.
Apesar da intensidade dos sinais, não houve confirmação de epilepsia. Segundo Castelo Branco, exames laboratoriais e de imagem não mostraram alterações, e a ocorrência foi associada ao estresse acentuado, à privação de sono nos dias anteriores e ao esforço físico exigido na prova que realizava.
A repercussão do caso ajuda a esclarecer uma dúvida frequente: a epilepsia pode provocar convulsões, mas nem toda convulsão significa que a pessoa tenha a doença.
Sendo assim, embora ela esteja entre os diagnósticos mais lembrados, especialmente por atingir cerca de 2% dos brasileiros, conforme o Ministério da Saúde, as crises convulsivas também aparecem em outros contextos clínicos.
Segundo informações divulgadas pela Rede D'or São Luiz, a convulsão pode estar associada a diferentes quadros, como meningites, encefalites, tétano, tumores, processos infecciosos, hemorragias, diabetes e insuficiência renal. Há, ainda, situações em que fatores externos funcionam como gatilho, incluindo estresse intenso, estímulos luminosos, febre e noites mal dormidas.
Como é feito o diagnóstico de epilepsia?
O diagnóstico de uma crise epiléptica, segundo o Ministério da Saúde, pode ser feito clinicamente por meio de um exame físico geral, com atenção aos aspectos neurológicos e psiquiátricos, além de um histórico detalhado do paciente. O relato de testemunhas também pode ser determinante para entender como a crise aconteceu.
Informações como presença de aura, idade de início, frequência dos episódios e intervalos entre eles ajudam no diagnóstico. Antecedentes de trauma craniano, infecções, intercorrências no parto e casos da doença na família também entram na avaliação.
Para complementar a avaliação, exames de imagem e de atividade elétrica cerebral costumam ser solicitados. Segundo a Rede D'Or São Luiz, estão entre os principais o eletroencefalograma, o PET Scan e os métodos de imagem que permitem analisar possíveis alterações cerebrais; é o caso, por exemplo, de como funciona a ressonância magnética.
Quando a epilepsia é confirmada pelo neurologista, o tratamento geralmente é feito com medicamentos antiepilépticos, que buscam controlar a atividade elétrica do cérebro e diminuir a ocorrência das crises.
Nos casos em que os episódios continuam frequentes, mesmo com as terapias indicadas, a possibilidade de cirurgia pode entrar em discussão. Por isso, a depender da evolução, o médico pode recomendar avaliação especializada e orientar que o paciente encontre um neurocirurgião geral.
Como agir em uma crise convulsiva?
Entre os sinais de uma convulsão, estão movimentos involuntários, perda de consciência, excesso de salivação, olhos voltados para cima e mudança na coloração dos lábios. Segundo Bruno Castelo Branco, episódios isolados são mais comuns do que se imagina. A estimativa é que cerca de 10% da população mundial apresente, ao menos, uma convulsão ao longo da vida.
A Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) informa que é normal as pessoas se assustarem com uma crise e ficarem temerosas em agir. No entanto, a ajuda de quem está por perto é importante para reduzir o risco de ferimentos, já que a perda súbita da consciência pode provocar quedas e traumas.
Para orientar a população, a ABE criou o protocolo "C.A.L.M.A.":
C: coloque a pessoa de lado e mantenha a cabeça levemente elevada para evitar engasgos com saliva. Não tente imobilizar braços e pernas;
A: apoie a cabeça em algo macio para protegê-la. Não tente abrir a boca ou colocar o dedo e objetos;
L: localize itens no ambiente que possam machucar a pessoa. Retire óculos e afrouxe roupas apertadas;
M: monitore o tempo. Se a crise ultrapassar cinco minutos ou se repetir, ligue para o SAMU, no número 192;
A: acompanhe a pessoa, permanecendo ao seu lado até que ela recupere a consciência. Em caso de ferimentos ou se for o primeiro episódio, acione o atendimento de emergência.
Mesmo quando a crise é pontual, a avaliação médica é importante para identificar a origem do episódio e definir a necessidade de acompanhamento.
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