Ano eleitoral também é período de espertezas.
No debate sobre o fim da escala 6x1, há quem tente se aproveitar de um viés cultural já instalado. Isso mesmo: é um debate cultural.
Associam trabalho a sofrimento, exploração e perda de liberdade.
Fala-se mais sobre direitos do que sobre deveres.
Ora, o trabalho é a maior referência de pai para filho. No Brasil, isso está acabando.
Não é à toa que, historicamente, entre diferentes línguas, muitos sobrenomes identificam profissões e de orgulho por dominarem conhecimentos úteis:
Ferreira: ferreiro (Português);
Scherer: tosquiador (Alemão);
Montero: caçador (Espanhol);
Berger: pastor (Francês);
Sartori: alfaiate (Italiano),
Chmiel: cervejeiro (Polonês), entre outros.
Trabalho é isso mesmo: instrumento de construção pessoal, dignidade e progresso. No entanto, os modismos brasileiros o tratam como um fardo. O descanso necessário, como um livramento. Será se os brasileirinhos do amanhã terão orgulhos de seus pais?
Os números não mentem: A produtividade do trabalhador brasileiro é inferior a 30% da registrada nos países mais desenvolvidos, onde se trabalha melhor, não menos.
O problema se agrava quando alcança a base: a educação. Um processo de formação enfraquecido, que tende a gerar profissionais com questionável capacidade técnica nas mais diferentes áreas. Isso afeta a vida real: projetos mal dimensionados, serviços mal prestados, decisões mal fundamentadas. Perigo real, sem previsão de reparo.
Esse desalinhamento também se reflete no mercado. Empresas relatam dificuldade crescente para contratar e encontrar mão de obra qualificada e comprometida com entrega. Dão mais atenção ao relógio do que à qualidade do que se produz. Não vêm a hora de cair fora.
Aí vem o governo com a proposta de reduzir jornadas. Como fazer isso sem impacto econômico?
Claro, a conta chega ao empregador. Metas a cumprir, prazos a atender, clientes a satisfazer. Tudo isso sob alta carga tributária, com regras que mudam a toda hora e geram insegurança. Entre as consequências, aumento do trabalho informal, que no Brasil já atinge 40%.
O viés cultural é sorrateiro, invisível como a música, mas evidente como o som. São ideias infiltradas no imaginário coletivo, naturalizando recompensas sem esforço proporcional. Toda mensagem aponta uma direção e, consciente ou não, ajuda a moldar comportamentos, expectativas e escolhas. Artistas, imprensa e formadores de opinião têm responsabilidade nesse processo.
Expressões como “sextou” passaram a simbolizar algo maior: a celebração do fim do compromisso e a desconexão com responsabilidades. “Farra, pinga e foguete”. Ideia de liberdade associada ao descompromisso. Aqui as bolsas não cotam valores. Ao contrário.
Apesar desse vento forte que sopra da esquerda, Santa Catarina mantém forte cultura de trabalho e se consolida no mercado com diversificação econômica e alto nível de empregabilidade. Entre 2025 e 2026, liderou a geração de empregos formais, com dezenas de milhares de novas vagas já no início do ano, e manteve uma das menores taxas de desemprego do país, próxima do pleno emprego (em torno de 2% a 3%). O estado apresenta forte presença industrial, participação acima da média nacional, renda mais elevada e capacidade de atrair trabalhadores de outras regiões.
Um estado forte. Modelo para o Brasil.
Imagine quando mudar a direção do vento!
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