A Associação dos Síndicos de Balneário Camboriú (ASBALC) realizou uma pesquisa inédita junto aos síndicos do município para identificar a incidência, os impactos e as possíveis soluções relacionadas aos atos de vandalismo em lixeiras e áreas destinadas ao armazenamento de resíduos nos condomínios.
Além de diagnosticar a dimensão do problema, a iniciativa busca atender às demandas dos síndicos, que convivem diariamente com essa realidade e enfrentam dificuldades crescentes na administração dos empreendimentos. O levantamento também tem por finalidade oferecer às lideranças públicas informações concretas de quem vivencia o problema, contribuindo para a construção de políticas públicas e práticas efetivas capazes de enfrentar a questão.
A pesquisa contou com a participação de 73 síndicos, de um universo de aproximadamente 360 síndicos catalogados pela ASBALC, representando condomínios de diferentes portes e bairros de Balneário Camboriú. É importante destacar que esse universo é composto por duas categorias distintas: o síndico morador, responsável por um único condomínio, e o síndico profissional, que pode administrar simultaneamente até vinte ou mais condomínios.
Principais resultados
O problema é recorrente e amplamente disseminado - Dos participantes, 79,5% afirmaram que seus condomínios já sofreram atos de vandalismo em lixeiras ou áreas destinadas ao armazenamento de resíduos, demonstrando que a situação deixou de ser pontual e passou a representar um problema recorrente para grande parte dos empreendimentos da cidade.
*Frequência preocupa os síndicos - Entre os condomínios que registraram ocorrências:*
32,8% informaram que os episódios ocorrem raramente;
29,3% afirmaram ocorrer mensalmente;
29,3% relataram ocorrências semanais;
8,6% convivem com situações quase diárias.
Na prática, mais de 67% dos condomínios afetados enfrentam o problema pelo menos uma vez por mês.
Principais formas de vandalismo
As ocorrências mais frequentes foram:
abertura e espalhamento de lixo (84,5%);
danos físicos às lixeiras (58,6%);
furto de materiais recicláveis (32,8%);
utilização irregular das áreas de resíduos (27,6%).
Também foram registrados relatos de furtos de recipientes, utilização das áreas para pernoite e realização de necessidades fisiológicas.
Os impactos vão além dos prejuízos materiais -
Os síndicos apontaram como principais consequências:
problemas de higiene e saúde (74,1%);
sensação de insegurança (69%);
reclamações de moradores (63,8%);
aumento dos custos condominiais (55,2%);
sobrecarga dos funcionários (53,4%);
mau cheiro (51,7%).
Os resultados demonstram que o problema ultrapassa os danos patrimoniais, afetando diretamente a saúde pública, a segurança e a qualidade de vida da comunidade.
Percepção dos síndicos
Na percepção dos respondentes:
74,1% apontam pessoas em situação de rua como principais responsáveis;
19% atribuem as ocorrências a catadores informais;
um percentual reduzido relaciona os fatos a moradores ou prestadores de serviços.
A ASBALC ressalta que esses dados refletem exclusivamente a percepção dos síndicos participantes e reforçam a necessidade de fortalecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento social, à saúde mental e ao enfrentamento das situações de vulnerabilidade.
Os condomínios estão fazendo sua parte
Um dos resultados mais relevantes da pesquisa demonstra que 91,7% dos condomínios já adotaram medidas preventivas, como fechamento das áreas de resíduos, instalação de câmeras, monitoramento eletrônico, alteração dos horários de descarte e controle de acesso.
Mesmo assim, apenas 44,3% consideram essas medidas plenamente eficazes, enquanto 47,1% afirmam que os resultados são apenas parciais.
Esse talvez seja o principal diagnóstico da pesquisa: os condomínios já estão investindo recursos próprios e adotando medidas de prevenção, mas o problema permanece, evidenciando que sua solução depende da atuação integrada entre o setor condominial e o Poder Público.
O que os síndicos esperam das autoridades
Entre as principais medidas apontadas pelos participantes estão:
políticas públicas voltadas às pessoas em situação de rua (84,9%);
melhoria na coleta pública de resíduos (39,7%);
campanhas educativas (28,8%).
Conclusão - Os resultados evidenciam que o vandalismo nas áreas de resíduos representa um problema relevante para os condomínios de Balneário Camboriú, gerando prejuízos financeiros, dificuldades operacionais, riscos sanitários e aumento da sensação de insegurança.
A pesquisa demonstra, sobretudo, que os condomínios vêm assumindo sua responsabilidade, investindo em prevenção e buscando soluções. Entretanto, as ações isoladas mostram-se insuficientes diante da complexidade do problema, reforçando a necessidade de articulação entre Poder Executivo, Câmara de Vereadores, Ministério Público, forças de segurança, assistência social, empresas responsáveis pela coleta de resíduos e representantes do setor condominial.
A ASBALC esclarece que esta pesquisa possui caráter exclusivamente técnico e institucional. Não possui qualquer conotação político-partidária nem pretende interferir no debate político. A entidade não representa partidos políticos; representa causas relacionadas à defesa dos síndicos, dos condomínios e do bem-estar coletivo.
A Associação coloca-se à disposição dos órgãos públicos e de todas as instituições envolvidas para contribuir na construção de medidas capazes de mitigar o vandalismo, fortalecer a segurança, preservar o patrimônio e promover melhor qualidade de vida para toda a população de Balneário Camboriú.
"Quando um problema deixa de atingir apenas um condomínio e passa a afetar toda a cidade, sua solução também precisa ser construída por toda a sociedade."
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