O deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB divulgou uma carta aberta para os eleitores catarinenses. Ele lembra a sua trajetória política e analisou a atual situação do partido nas eleições gerais deste ano.
"O que está acontecendo hoje é grave. Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco de
se transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar, " disse o parlamentar.
CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA
"Caro amigo emedebista,
Chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo. O momento que o MDB de Santa
Catarina atravessa exige coragem, não silêncio.
Em 1999, filiei-me ao PMDB com apenas 17 anos. Não foi um movimento oportunista; foi uma
escolha de vida. De lá para cá, enfrentamos batalhas duras, disputamos eleições difíceis,
ajudamos a construir governos e fomos protagonistas em momentos decisivos do nosso Estado.
O MDB sempre foi grande porque pensava grande.
Mas os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos
fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo
turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara
dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar
Santa Catarina.
Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço,
organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não
como coadjuvante.
Após ser esnobado e preterido pelo atual Governo no início deste ano, o MDB, em vez de se
posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até
ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história. Um movimento que tenta
empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma
eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla
que ajudou a construir Santa Catarina.
Isso não é estratégia. Isso é apequenamento.
É preciso dizer com todas as letras: o MDB não nasceu para ser figurante. Não nasceu para
aceitar migalhas. Não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita, não
na minha gestão como presidente.
Quero deixar claro: se estivesse pensando em um projeto pessoal, já teria ocupado espaços,
cargos ou feito qualquer composição conveniente. Caminhos não faltaram. Porém, nunca foi
esse o meu compromisso. Tenho uma trajetória de lealdade ao partido, não de conveniência
pessoal.
O que está acontecendo hoje é grave. Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco de
se transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar.
Precisamos reagir. O MDB tem tamanho, história, capilaridade e liderança para disputar a
majoritária. Vamos respeitar os diretórios municipais que decidiram estar em um projeto de
verdade, que votaram a favor de compor a chapa com PSD e União Progressista. Aos líderes
partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta
batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar.
Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que
está diante de todos nós.

Carlos Chiodini
Presidente do MDB de Santa Catarina
Santa Catarina, 28 de abril de 2026"

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