Na terça-feira (28/4), durante sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú, foi aprovado por unanimidade o projeto de lei que declara a Festa da Tainha como Patrimônio Cultural Imaterial do município. A proposta é de autoria da vereadora Ciça Müller (PDT) e do vereador Bola Pereira (PSD), que se encontra licenciado do cargo para exercer a função de secretário de Obras. A matéria segue agora para sanção da prefeita Juliana Pavan.
O reconhecimento formal consolida a Festa da Tainha como uma das mais importantes manifestações culturais do município, diretamente vinculada à pesca artesanal da tainha, já declarada patrimônio cultural imaterial pela Lei Municipal nº 4.327/2019. Mais do que um evento festivo, a celebração é compreendida como extensão viva desse patrimônio, reunindo práticas, saberes e tradições que estruturam a identidade das comunidades pesqueiras, especialmente no Bairro Estaleiro e nas Praias Agrestes.
Realizada anualmente e promovida pela Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Fundação Cultural, em parceria com a Associação dos Moradores do Estaleiro (AME), a Festa da Tainha cumpre um papel que vai além do entretenimento. Ela atua como instrumento de preservação cultural, ao tornar visíveis práticas tradicionais que vêm sendo transmitidas entre gerações, como o preparo da tainha, o uso de instrumentos de pesca artesanal e a organização comunitária em torno do ciclo da pesca.
A legislação aprovada destaca um conjunto amplo de elementos que compõem o valor cultural da festa. Entre eles estão a gastronomia típica baseada na tainha e frutos do mar, manifestações folclóricas como o Boi de Mamão, danças tradicionais, apresentações musicais ligadas à cultura litorânea e exposições de elementos materiais da pesca, como canoas, redes e utensílios. Esses aspectos reforçam o caráter multifacetado da celebração, que articula cultura, memória e identidade.
Além da dimensão cultural, a Festa da Tainha também exerce impacto social e econômico relevante. A programação inclui ações educativas voltadas à preservação do patrimônio histórico e ambiental, incentivo ao turismo de base comunitária e fortalecimento da economia criativa local, envolvendo artesãos, produtores culturais e trabalhadores ligados à cadeia do turismo. Esse conjunto de atividades contribui para a geração de renda e para a valorização do território onde a festa se insere.
A iniciativa legislativa também reforça a importância da integração comunitária. A festa é reconhecida como espaço de encontro entre moradores antigos, pescadores e novas gerações, fortalecendo vínculos sociais e promovendo a continuidade de práticas culturais que estruturam a identidade local.
Durante a discussão da proposta, a vereadora Ciça Müller destacou o simbolismo do reconhecimento. “A Festa da Tainha representa muito mais do que uma tradição anual. Ela preserva a memória das comunidades pesqueiras, valoriza saberes ancestrais e reafirma a identidade cultural de Balneário Camboriú”, afirmou.
Com a aprovação unânime do Legislativo, o projeto segue para sanção do Executivo municipal, que poderá adotar medidas de proteção, salvaguarda, valorização e divulgação da festa, garantindo a manutenção de suas características históricas, culturais e comunitárias como patrimônio vivo da cidade.
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